Relações realidade

Acreditem. As relações sociais passarão por grandes mudanças. A nossa visão de mundo não será mais a mesma diante dessa crise sanitária sem precedentes nas últimas gerações. A pandemia mudou o foco do nosso olhar e despertou sentimentos de coletividade que há muito pareciam não fazer parte de cada um de nós. Realidade Relacionamentos Relações Respeito Respirar Revolução Rotina Sagitário Selvagem Separação Signos Silêncio Simplicidade Sofrimento Sol Sombra Sonho Sorte Sozinho Sucesso Tensão Terra Touro Trabalho Valor Valorização Verdade Vida Violência Virgem Vulnerabilidade. Feed RSS Resumo: Depois de localizar Corda Bamba, da escritora gaúcha Lygia Bojunga Nunes, nas narrativas contemporâneas que entrecruzam ficção e realidade social, este estudo busca discutir a existência de uma literatura infantil e juvenil e a produção Relações públicas/ comunicação institucional/ comunicação corporativa: três designações para uma mesma realidade? Mafalda Eiró-Gomes , Tatiana Filipa Gomes Nunes 2013 Nesse sentido, as relações entre as pessoas estão cada vez mais vulneráveis e a realidade do mundo virtual proporciona a escolha de novos amigos e novos amores facilmente, ou melhor dizendo, num simples “clique” do computador. As identidades são forjadas a fim de chamar atenção das pessoas, pois vivemos a dicotomia entre mundo ... Graciliano Ramos : relações entre ficção e realidade. Author: Lamberto Puccinelli: Publisher: São Paulo : Edições Quíron, 1975. Series: Coleção Escritores de hoje ; v. 3. Edition/Format: Print book: PortugueseView all editions and formats: Rating: (not yet rated) 0 with reviews - Be the first.

Minha vida não tem motivo de ser

2020.09.05 18:25 andarilho93 Minha vida não tem motivo de ser

Antes que alguém venha falar que todas as vidas são "sem sentido" ou "sem propósito" ou que a vida "não tem sentido inerente", sei muito bem disso, e quem afirma ao contrário é um ingênuo. O sentido de ser a que me refiro é ocupação que motivo a permanecer. E ocupação aqui não me refiro apenas a trabalho, mas a toda e qualquer atividade que possa ser um motivante a dar a vida prazer. E antes que rebatam que não ter problemas maiores como filhos a sustentar nem familiar doente a que assistir, isso não condiz com a minha realidade atual, e não posso me sentir motivado a viver por minha vida não ter problemas de outros por que serei responsável futuramente (como um familiar adoecendo e ter que dar algum apoio se eu for requisitado). Também saber que tenho meus quatro membros sãos não faz de mim mais feliz, nem ter o que comer. Isso é o básico para ter dignidade, ainda que ter limitação física ou até mental não seja motivo de tornar alguém indigno. Indo ao ponto, não vejo motivos de ser porque minha vida carece de perspectivas atraentes. Não vejo motivo nem sequer porque estudar mais, trabalhar mais para ganhar mais dinheiro, e, infelizmente, nem mesmo na ocupação recreativa de estudar (se isso for possível) nem de trabalhar (se isso for possível). Não tenho vida social, nunca tive, e já estou chegando aos 30 anos. Nunca tive relacionamentos sexuais-afetivos, até porque tenho limitações físicas e mentais de me envolver afetivamente e sexualmente com pessoas. Antes que digam que tenho que tentar, tentei sim. Tentei ter relações afetivo-sexuais e foram experiências ruins para mim e para pessoa que teve a infelicidade de se relacionar comigo. Não consigo ter sexo, e em qualquer relação isso é o mais básico em um relacionamento. E ao mesmo tempo não sou assexual, apenas tenho dificuldades físicas e mentais para isso. Não tenho amigos, tenho sérias dificuldades em me aproximar de pessoas e conseguir estabelecer laços de amizade. Provavelmente tenho algo que se caracteriza como transtorno evitativo, e ansiedade social, fora a dificuldade de sentir excitação e divertimento. Não sei o que fazer. Devo me contentar com minha rotina, dos últimos 10 anos, de casa-trabalho-casa e ficar olhando coisas em uma tela? Trabalhar, pagar contas, comer, dormir, cagar, e apenas isso. Não consigo evitar o pensamento de quão patético tudo isso é. Não me suicido porque até o impulso suicida me falta. Tenho apatia emocional e isso de certa forma me faz evitar me suicidar. Mas também me prende numa condição imóvel e patética.
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2020.09.05 11:57 Zaigard Sobre a solidão e "como conhecer novas pessoas"

Bom dia a todos,
Muitas vezes leio por aqui pessoas a sofrer de solidão e depressão e a pedir conselhos sobre como arranjar amigos. Se pesquisarmos pela internet fora, existem muitos conselhos e ideias de como conhecer pessoas.
Mas quando alguém jovem entre os 20 e 40 diz que quer conhecer pessoas, ela/a quer conhecer pessoas da sua idade e com interesses semelhantes.
Alguns dos conselhos mais comuns são:
Frequentar cafes e bares
Ir para o ginásio ou piscina
Participar em grupos de corrida ou caminhada
Frequentar aulas de luta, dança ou ioga
Participar num curso de línguas ou culinária
Participar em eventos, meetups ou encontros organizados
Clube de artes ou fotografia
Ir a festas ou festivais
Aparentemente todos estes conselhos são oportunidades garantidas de conhecer pessoas novas, mas a realidade demográfica portuguesa estraga a situação.
Sim se eu frequentar o cafe local, tiver aulas de dança três vezes por semana e for à piscina ao fim de semana, vou conhecer novas pessoas, mas vou conhecer por norma pessoas de 60+ anos. Sendo Portugal um país de idosos, tudo é dimensionado para idosos pois são eles a maioria a frequentar as situações e são eles quem mais tempo tem para participar.
Por exemplo, o clube de fotografia da minha terra é 100% reformados com mais de 65.
E vamos ser realistas, os ginásios e aulas de luta, línguas e afins não são os melhores sítios para fazer amigos, os jovens que as frequentam estão lá para fazer a sua rutina e seguir caminho, pois tem pressa devido ao emprego, amigos, filhos etc, só quem terá tempo para falar são reformados.
Resumidamente, este conselhos americanizados podem funcionar em sociedade mais jovens ou em grands cidades europeias, mas por aqui, vão depender muito mais da tua capacidade. Quem sempre teve facilidade em fazer amigos certamente vai arranjar maneira de conhecer novos sempre problemas, seguindo ou não estas ideias.
Estar a frequentar uma atividade, que nem nos interessa muito, pois o principal objetivo era conhecer malta da nossa idade, e acabar só conhecendo pessoas com quem pouco ou nada temos em pouco é bastante dececionante.
Quem sempre teve dificuldade fazer amizades está lixado e estes conselhos em pouco ou nada vão ajudar.
Sendo realistas, o primeiro passo para conhecer potenciais amigos, é já ter amigos. Quem por situações da vida se depara numa situação em que não tenha amigos vai passar um mau bocado e não há uma estratégia magica que o ajude, a sorte será o principal fator para escapar a tal situação.
Numa nota pessoal, nos últimos anos, tenho vivido sem um único amigo, mas com dezenas de "conhecidos próximos" mas com idades, interesses e vivencias, completamente diferentes da minha.
Uma ultima nota, arranjar amigos no local de trabalho, ou entre clientes, não só é difícil como é, por norma, uma péssima ideia misturar relações pessoais com profissionais.
Quais são as vossas opiniões? Acham que estou totalmente errado e tiveram experiencias totalmente diferentes? Estiveram numa situação de solidão e conseguiram resolver o problema seguindo estas ideias? Gostava de ler algumas opiniões e ideias diferentes.
Versão resumida: Existem muitos conselhos para conhecer pessoas, mas em Portugal, vais acabar por conhecer idosos e pessoas com quem não tens nada em comum, pelo que não há uma solução verdadeira para o problema da solidão.
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2020.08.29 01:01 Orpheu2000 Método Finish Funciona? Vale A Pena? É Bom?

Método Finish Funciona? Vale A Pena? É Bom?

Método Finish Funciona
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2020.08.27 16:02 Scabello More about Belarus color "revolution"

Text from a amazing marxist virtual magazine from Brazil.

https://revistaopera.com.b2020/08/26/belarus-nacionalismo-e-oposicao/

Belarus: nacionalismo e oposição


As manifestações em Belarus estão recebendo uma grande cobertura nos meios ocidentais, o que se reflete na imprensa brasileira, que se contenta em traduzir e repetir aquilo que é dito em grandes veículos europeus. A amplitude e até a paixão dessa cobertura gera, por efeito de contraste, uma sensação de falta de profundidade, já que em meio de tantas notícias, carecemos até mesmo de uma introdução sobre aspectos específicos do conflito e dos atores que participam dele. O que a cobertura nos oferece, no entanto, é uma narrativa sobre manifestantes lutando contra um ditador em nome da liberdade, discurso fortalecido por uma certa abundância de imagens. Na frente desta luta, a candidata derrotada – alegadamente vítima de fraude – Sviatlana Tsikhanouskaya, uma “mulher simples”, “apenas uma dona de casa”, o símbolo da mudança. Em alguns dos meios de esquerda e alternativos, este posicionamento da grande mídia já gera uma certa desconfiança. Imediatamente surgem perguntas sobre quem forma essa oposição e se podemos fazer comparações com a Ucrânia em 2014, onde uma “revolução democrática” foi acompanhada por grupos neofascistas, ultranacionalismo e chauvinismo anti-russo. Outros já se revoltam contra o reflexo condicionado e declaram que não podemos julgar os eventos de Belarus pela ótica dos eventos ucranianos, e que avaliações não deveriam ser feitas na função inversa da grande mídia. Me deparando com a diversidade de problemas que podem ser desenvolvidos a partir do problema de Belarus, decidi começar com um problema simples de imagem e simbologia, mas que nos traz muitas informações. As imagens que estampam os jornais são dominadas por duas cores: branco e vermelho.

Uma disputa pela história

Uma faixa branca em cima, uma faixa vermelha no meio e outra faixa branca embaixo – esta bandeira domina as manifestações oposicionistas em Belarus. Ela surgiu primeiro em 1919, em uma breve experiência política chamada de República Popular Bielorrussa, órgão liderado por nacionalistas mas criado pela ocupação alemã no contexto do pós-Primeira Guerra, Guerra Civil na Rússia e intervenção estrangeira que ocorreu naquele período. Uma bandeira diferente do símbolo oficial de Belarus: do lado esquerdo, uma faixa vertical reproduz um padrão tradicional bielorrusso, como na costura, em vermelho e branco, do lado duas faixas horizontais, vermelho sobre verde (somente um terço em verde). Bandeira muito similar à velha bandeira da República Socialista Soviética de Belarus, com a diferença que na antiga o padrão tradicional estava com as cores invertidas e na massa vermelha horizontal brilhava a foice-e-martelo amarela com uma estrela vermelha em cima. Os manifestantes também usam um brasão de armas histórico do Grão Ducado da Lituânia, a Pahonia, onde vemos um cavaleiro branco, brandindo sua espada e segurando um escudo adornado por uma cruz jaguelônica. O emblema oficial de Belarus, no entanto, é diferente, correspondendo à simbologia soviética, onde um sol que se levanta sobre o globo ilumina o mapa de Belarus, com bagos de trigo nos flancos e uma estrela vermelha coroando a imagem. Essa diferença entre símbolos do governo e da oposição não é só uma diferença política momentânea, mas remete a uma disputa pela identidade nacional de Belarus, a processos divergentes de formação de consciência nacional, conforme exemplificados por Grigory Ioffe. Quando Belarus se tornou independente da União Soviética nos anos 90, isto aconteceu apesar da vontade popular, sem movimentos separatistas como os que ocorreram vigorosamente nas repúblicas soviéticas bálticas, vizinhas de Belarus pelo norte, ou na parte ocidental da Ucrânia, país que faz fronteira com Belarus pelo sul. Pelo menos até pouco tempo atrás, a maioria dos cidadãos se identificava com a Rússia e concebia a história de Belarus no marco de uma história soviética. Para a maioria da população, o evento mais importante da história de Belarus foi a Grande Guerra Patriótica, isto é, a resistência contra os invasores nazistas, o movimento partisan como primeiro ato de vontade coletiva. É depois da guerra que os bielorrussos se tornam maioria nas cidades do país (antes de maioria judaica, polaca e russa), bem como dirigentes da república soviética – líderes partisans se tornaram líderes do partido. Esse discurso filo-soviético também é acompanhado pela ideia de proximidade com a cultura russa, inclusive a constatação de que é difícil fazer uma diferenciação nacional entre as duas culturas. Em termos de narrativa histórica, isso é acompanhado por afirmações como a de que a Rússia salvou o povo das “terras de Belarus” da opressão nacional e religiosa dos poloneses. Então, figuras históricas da Rússia são lembradas, como por exemplo o general Alexander Suvorov (1730 – 1800), que é celebrado como um herói da luta contra a invasão polonesa das “terras de Belarus” e da Rússia em geral. Essa ideia de união entre Rússia e Belarus é fundamental para o pan-eslavismo. A revolução em 1917 também é considerada um episódio nacional, o começo da criação nacional de Belarus dentro da União Soviética, com sua própria seção bolchevique e adesão dos camponeses à utopia comunista, mas nem isso e nem a história nacional russa superam a Segunda Guerra Mundial como fator de consciência nacional. Contra esta visão surgiu uma alternativa ocidentalizante, que propõe que Belarus é um país completamente diferente da Rússia, que foi dominado pela Rússia e que precisa romper com Moscou para ser um país europeu. Essa tendência tenta afirmar a existência de um componente bielorrusso específico na Comunidade Polaco-Lituana, identificando a elite pré-nacional com nobres locais. Atribuem a “falta de consciência nacional” no país à intrigas externas. Seus heróis de forma geral são heróis poloneses, e celebram quando os poloneses invadiram a Rússia. Se esforçam por fazer uma revisão histórica que justifique a existência de uma nacionalidade bielorrussa atacando a narrativa ligada à Segunda Guerra Mundial, renegando a luta dos partisans e enquadrando sua nação como uma “vítima do estalinismo”, que passa ser comparado com o nazismo como uma força externa. Suas preocupações centrais, além de tentar construir uma história de Belarus antes do século XX, está a preservação da língua bielorrussa em particular, com suas diferenças em relação ao russo. Nessa visão, as repressões do período Stálin deixam de ser uma realidade compartilhada com os russos e outras nacionalidades soviéticas, para ser entendida como uma repressão contra a nação de Belarus, exemplificada principalmente pela repressão de intelectuais nacionalistas. Na tentativa de desconstruir o “estalinismo” e os partisans, os nacionalistas defenderam a Rada Central de Belarus, um órgão colaboracionista criado pela ocupação alemã, que não pode ser chamado sequer de governo títere, mas que adotava a visão histórica dos nacionalistas e fez escolas de língua exclusivamente bielorrussa em Minsk. A Rada foi liderada por Radasłaŭ Astroŭski, que foi para o exílio norte-americano e dissolveu órgão depois da guerra para evitar responsabilização por crimes de guerra. A versão nacionalista não só defende a “posição complicada” dos colaboradores nos anos 40, como revisa positivamente o papel do oficial nazista Wilhelm Kobe, Comissário Geral para Belarus entre 1941 e 1943 (até ser assassinado pela partisan Yelena Mazanik). Argumenta-se que Kobe seria um homem interessado nas coisas bielorrussas e seu domínio permitiu o florescimento nacionalista. Do lado colaboracionista existiu uma Polícia Auxiliar e a Guarda Territorial Bielorrusa, as duas ligadas aos massacres nazistas e associadas a uma das unidades mais infames da SS, a 36ª Divisão de Granadeiros da SS “Dirlewanger”. Depois, foi formada por uma brigada bielorrussa na 30ª da SS. A colaboração usava as bandeiras vermelha e branca, com a Guarda Territorial usando braçadeiras nessa cor. Essas cores seriam retomadas na independência do país em 1991, mas foram muito atacadas por sua associação com a colaboração. Por isso ela foi rechaçada por uma maioria esmagadora em um referendo realizado em 1995, que definiu os símbolos nacionais de hoje e mudou o “Dia da Independência” para 3 de Julho, dia em que Minsk foi libertada das forças de ocupação nazista, em 1944. A visão nacionalista e ocidentalizante é minoritária, compartilhada por algo entre 8% e 10% da população; número que é consistente com o número de católicos do país – um pouco maior, na verdade, o que serve para contemplar uma minoria de jovens de Minsk, que proporcionalmente tendem a ser mais adeptos de uma visão distinta da história soviética. Em 1991, o nacionalismo se reuniu na Frente Popular Bielorrussa, em torno da figura do arqueólogo Zianon Pazniak, que representava uma militância radical, anti-russa, europeísta e guardiã dessa simbologia nacional. O movimento fracassou e parte disso provavelmente se deve à liderança de Pazniak, tido como intolerante. Havia também um movimento paramilitar chamado Legião Branca, que se confrontaria com Lukashenko no final dos anos 90. Estes seriam “os nazis bielorrussos dos anos 90”, pecha que é disputada por seus defensores, que os retratam até mesmo como democratas, mas que é justificada por seus detratores baseada em seu separatismo étnico e intolerância dirigida aos russos apesar de viverem no mesmo espaço e a maioria do seu próprio país falar a língua russa. Ainda assim, o alvo-rubro vem sendo reivindicado como um símbolo de liberdade, democracia e independência: seus defensores vêm tentando firmar a identidade dessa bandeira mais em 1991 do que em 1941. Para todos os efeitos, se tornou um símbolo de oposição Lukashenko, símbolo de “outra Belarus”, com boa parte dos jovens mantendo uma atitude receptiva em relação a ela – um símbolo carregado de controvérsia, mesmo assim. Essas divergências simbólicas escondem diferentes histórias e questões políticas radicais. Além disso, é possível constatar que Belarus tem dois componentes nacionais externos em sua formação: os poloneses e os russos. No plano religioso, o catolicismo associado com Polônia e a ortodoxia associada à Rússia (segundo dados de 2011, 7,1% da população católica, 48,3% ortodoxa e 41,1% diz não ter religião, 3,5% se identificam com outras). Na disputa histórica, existe uma narrativa filo-soviética e outra ocidentalizante. Nesta última década, o próprio governo Lukashenko presidiu sobre uma política de aproximação e conciliação dessas narrativas históricas sobre Belarus, tentando ocupar uma posição mais nacionalista, mesmo que mantendo o núcleo soviético como fundamental. Esta aproximação foi muito criticada por um núcleo duro de patriotas e irredentistas russos. Por outro lado, dentre os manifestantes não necessariamente há uma ruptura total com a narrativa histórica partisan e motivos antifascistas, pelo menos não se buscarmos casos individuais – nesse caso, o uso histórico da bandeira seria ignorado ou superado por outra proposta. Apesar de existir uma oposição que busca lavar a bandeira alvirrubra, é possível identificar nacionalistas radicais na oposição?

Belarus não é Ucrânia – mas pode ser ucranizada?

Pelo menos em meios ocidentais, se afirmou muito que “a crise de Belarus não é geopolítica”. Muitos textos publicados no Carnegie Moscow Center elaboraram em torno dessa afirmação. A declaração da Comissão Europeia afirmou isso. O professor e colunista Thimothy Garton Ash escreveu no The Guardian que sequer se pode esperar um regime democrático liberal depois da saída de Lukashenko, e relata contatos com bielorrussos que dão a impressão de um sentimento ao mesmo tempo oposicionista e pró-russo. Por esse argumento, Belarus é diferente da Ucrânia, as manifestações não têm relação com geopolítica, os bielorrussos até gostam da Rússia e a lógica extrapola ao ponto de dizer que, portanto, Putin tende a apoiá-las. Mais de um texto fala de como a identificação entre bielorrussos e russos, como povos irmãos ou até iguais, “anula” essas questões – isto é, estes textos têm como pressuposto uma solidariedade nacional, uma continuidade entre os dois povos, algo distinto do radicalismo nacionalista. Até parecem acreditar que isto tiraria de Putin o interesse de ajudar Lukashenko ou da Rússia enquadrar esses eventos na sua visão estratégica como algo equivalente ao problema ucraniano. De fato, Belarus não é a Ucrânia. A divisão sobre a identidade nacional não é tão polarizada em Belarus como é na Ucrânia. A divisão regional e linguística, bem como as diferentes orientações geopolíticas, não é tão radical. A marca da colaboração e suas consequências políticas não é tão forte em Belarus como é na Ucrânia – não acredito que o nacionalismo em Belarus está no mesmo patamar do ultranacionalismo ucraniano. No plano da operação política, a comparação com a Ucrânia é feita em função do Maidan de 2014, onde também existem diferenças. O Maidan teve a participação decisiva de partidos políticos consolidados e posicionados dentro do Parlamento, que no momento final tomaram o poder do presidente Yanukovich usando seu poder parlamentar. Partidos ligados a oligarcas multimilionários, com políticos que enriqueceram em negócios de gás, e nas ruas uma tropa de choque de manifestantes formada por nacionalistas bem organizados. Dito isso, devemos olhar para o posicionamento da oposição bielorrussa e não aceitar de forma acrítica as narrativas de que a manifestação não tem nada a ver com geopolítica e que não possuí liderança. Alegam que questões como adesão à OTAN e integração europeia não são primárias na política de Belarus – será mesmo? E essas questões nacionais, não têm relação alguma com as manifestações? Primeiro, um dos movimentos que protagoniza enfrentamentos de rua em Belarus desde outros anos (especialmente nos enfrentamentos de rua de 2010) e se destaca nos meios oposicionistas, inclusive com reconhecimento ocidental, é a Frente Jovem, que é um movimento nacional radical, acusado de filo-fascista e ligado aos neofascistas ucranianos. Este movimento também é ligado ao partido Democracia Cristã Bielorrusa (DCB), o qual ajudou a fundar. Ambos são contra o status oficial da língua russa e querem retirar o russo das escolas. Pavel Sevyarynets, um dos fundadores da Frente Jovem e liderança da DCB, é frequentemente referido como dissidente e “prisioneiro de consciência” foi organizador da campanha “Belarus à Europa”. Ele foi preso antes das eleições como um organizador de distúrbios. A Revista Opera teve acesso ao material de um jornalista internacional que entrevistou um professor de artes bielorrusso, autoproclamado anarquista e defensor das manifestações, que se referiu à prisão de Sevyarynets como um ato preventivo do governo e respondeu a uma pergunta sobre as reivindicações do movimento dizendo que as pessoas tem em sua maior parte bandeiras nacionalistas. Em segundo lugar, cabe ressaltar que um dos principais partidos de oposição e representante das declarações atuais é o Partido da Frente Popular Bielorussa (PFPB), descendente da Frente Popular dos anos 90, um partido de direita, adepto da interpretação nacionalista, hostil à Rússia e pró-europeu. O PFPB, a Democracia Cristã, a Frente Jovem e o partido “Pela Liberdade” são parte de um “Bloco pela Independência de Belarus”. Estes movimentos tiveram vários contatos com grupos neofascistas ucranianos, com a Frente Jovem em específico mantendo relações de longa data e tomando parte em marchas em homenagem a colaboradores como Stepan Bandera e Roman Shukeyvich (que na SS Natchigall foi um carrasco dos habitantes e partisans do sul de Belarus) – diga-se, entretanto, que não necessariamente funcionam da mesma forma que as organizações extremistas. Mesmo movimentos que se organizam como ONGs, com aparência de ativismo genérico e recebendo dinheiro de programas para promover a democracia a partir da Lituânia (que por sua vez direciona dinheiro do Departamento de Estado dos Estados Unidos), servem como organizações nacionalistas, como é o caso da ONG BNR100. Em terceiro lugar, podemos olhar para algumas lideranças de oposição presentes no Conselho de Coordenação formado para derrubar Lukashenko. Foi proclamado que o Conselho de Coordenação é composto por “pessoas destacadas, profissionais, verdadeiros bielorrussos”, por aqueles que “representam o povo bielorrusso da melhor maneira, que nestes dias estão escrevendo uma nova página da história bielorrussa”. Olga Kovalkova, peça importante da campanha de Sviatlana Tsikhanouskaya, que já havia listado pessoas do conselho antes dele ser anunciado oficialmente, em sua página do Facebook. Ela mesma é um dos membros. É graduada pela Transparency International School on Integrity e pela Eastern European School of Political Studies (registrada em Kiev, patrocinada pela USAID, National Endowment for Democracy, Open Society Foundation, Rockefeller Foundation, Ministério das Relações Exteriores da Polônia, União Europeia e estruturas da OTAN). Kovalkova é co-presidente da Democracia Cristã Bielorrussa; defende a saída de Belarus da Organização Tratado de Segurança Coletiva (OTSC; Tratado de Takshent), a separação do Estado da União com a Rússia e a retirada do russo da vida pública. O outro co-presidente da DCB, Vitaly Rymashevsky, também está no conselho. Ales Bialiatski, famoso como defensor dos direitos humanos e que foi preso sob acusação de enganar o fisco a respeito da extensão de sua fortuna, também fez parte do movimento nacionalista da Frente Popular de Belarus, do qual foi secretário entre 1996 e 1999 e vice-presidente entre 1999 e 2001. Também é fundador da organização Comunidade Católica Bielorrussa. É presidente do Viasna Human Rights Centre (financiado por Eurasia Foundation, USAID e OpenSociety) e recebeu o prêmio liberdade do Atlantic Council, além de prêmios e financiamentos na Polônia. Sua prisão em 2011 foi baseada em dados financeiros fornecidos por promotores poloneses e lituanos, enquadrado por um artigo de sonegação da lei bielorrussa.
Na hoste dos nacionalistas mais comprometidos representados no Comitê de Coordenação temos também Yuras Gubarevich, fundador do partido “Pela Liberdade”, antes um dos fundadores da “Frente Jovem” e foi durante anos liderança do Partido Popular; uma das grandes lideranças oposicionistas.
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Pavel Belaus é ligado à Frente Jovem, um dos líderes da ONG Hodna e dono da loja de símbolos nacionalistas Symbal. Ele também é ligado ao movimento neofascista ucraniano Pravy Sektor e esteve envolvido na rede de voluntários bielorrussos para a Ucrânia. Andriy Stryzhak, do BNR100, ligado ao Partido da Frente Popular, coordenador da iniciativa BYCOVID19. Participou do Euromaidan, de campanhas de solidariedade com a “Operação Antiterrorista” de Kiev no leste da Ucrânia e de articulação com voluntários bielorrussos. Andrey Egorov promove a integração europeia. Alexander Dobrovolsky, líder liberal ligado ao velho eixo de aliados de Boris Yeltsin no parlamento soviético, é pró-ocidente. Sergei Chaly trabalhou em campanhas de Lukashenko no passado, é um especialista do mundo financeiro, ligado a oposição liberal russa e pro ocidente. Sim, também existem elementos de esquerda liberal ligados ao Partido Social Democrata de Belarus (Hromada), uma dissidência do PSD oficial, que é a favor da adesão à União Europeia e da OTAN. Dito isso, não falamos o suficiente da influência nacionalista. Tomemos por exemplo o grupo Charter 97, apoiado pelo ocidente, principalmente pela Radio Free Europe, que se estiliza como um movimento demo-liberal. Dão espaço para a Frente Jovem, onde naturalmente seu líder pode chamar os bielorrussos que combatem na Ucrânia de “heróis” pois combatem a “horda” (se referindo a Rússia da mesma maneira que o Pravy Sektor). Voluntários bielorrussos combateram ao lado de unidades do Pravy Sektor e do Batalhão Azov. Durante as manifestações, o Charter 97 publicou, no dia 15 de agosto, um texto comemorando o “Milagre sobre o Vistula: no dia 15 de agosto o exército polonês salvou a Europa dos bolcheviques” e “Dez Vitórias de Belarus”, em que a Rússia é retratada como “inimigo secular” dos bielorrussos. Ações de ocupação de poloneses contra a Rússia são celebradas como “vitórias bielorrussas”. É importante também observar o papel que padres católicos vêm cumprindo nas manifestações, inclusive se colocando à frente de algumas delas. O bispo católico Oleg Butkevich questionou as eleições no dia 12 de agosto. Pelo menos em Lida, em Vitebetsk, Maladzyechna e em Polotsk, clérigos organizaram manifestações. Em Minsk, tomou parte o secretário de imprensa da Conferência de Bispos de Belarus, Yury Sanko. Em Polotsk, sobre a justificativa de ser uma procissão, o padre Vyacheslav Barok falou do momento político como uma “luta do bem contra o mal”. É claro que padres católicos podem participar de movimentos políticos de massa, eles também são parte da sociedade, mas este dado não deixa de ter uma significação política específica, visto que os radicais do nacionalismo bielorrusso se organizam no seio da comunidade católica. Ao mesmo tempo, isso gera ansiedade em um “outro lado”, no que seria um lado “pró-russo”, não só por conta de conspirações sobre “catolicização” do país, mas por ter visto na experiência ucraniana a associação de clérigos do catolicismo grego a neofascistas e eventualmente o Estado bancando uma ofensiva contra a Igreja Ortodoxa russa, o que inclui tomada de terras e expropriação de templos. O mesmo problema está ocorrendo neste ano com os ortodoxos sérvios em Montenegro; existem dois precedentes recentes no mundo religioso cristão ortodoxo que podem servir para uma mobilização contra as manifestações.

Programa de oposição: em busca do elo perdido

A candidatura de Tikhanovskaya não tinha um programa muito claro fora a oposição a Lukashenko. Porém, um programa de plataforma comum da oposição, envolvendo o Partido da Frente Popular, o Partido Verde, o Hramada, a Democracia Cristã e o “Pela Liberdade” chegou a ser formulado em uma “iniciativa civil” envolvendo estes partidos e ONGs que estava no site ZaBelarus. Depois, parte deste programa foi transferido para o portal ReformBy. Quando o programa passou a ser exposto no contexto das manifestações (por volta do dia 16), a oposição tirou o site do ar, mas ele ainda pode ser acessado com a ferramenta Wayback Machine. O programa quer anular todas as reformas e referendos desde 1994, retornando à Constituição daquele ano (e conforme escrita pelo Soviete Supremo). Se compromete a retirar da língua russa seus status oficial, além de substituir a atual bandeira por uma vermelho e branca. Existe uma proposta de reforma total de todas as instituições: bancárias, centrais, locais, judiciais, policiais, militares.
O programa também tem uma sessão dedicada à previdência, criticando o sistema de repartição solidária de Belarus como “falido” e responsável por uma “alta carga tributária sobre os negócios”. Propõem “simplificação”, “desburocratização” e “alfabetização financeira da população” para que esta assuma sua parcela de responsabilidade pela aposentadoria. O sistema seria “insustentável” no ano de 2050 por razões demográficas. Também criticam o “monopólio” da previdência pública, “sem alternativas no mercado”. A proposta oposicionista é de contas individuais de pensão com contribuição obrigatória, mas sem eliminar o sistema solidário, tornando o sistema “baseado em dois pilares”; elevar a idade de aposentadoria das mulheres (57) para igual a dos homens (62); “desburocratização” através da eliminação e fusão de órgãos públicos de seguridade social; eliminar diversos tipos de benefício e igualar os valores para todos os cidadãos (independente da ocupação). Essas propostas previdenciárias em específico são assinadas por Olga Kovalkova. Na seção de economia, o programa fala de um “problema do emprego” criticando as empresas estatais e demandando flexibilização da legislação, “incentivos para os investidores”, “uma política macroeconômica de alta qualidade, i.e. inflação baixa, política fiscal disciplinada, escopo amplo para a iniciativa privada”; “o mercado de trabalho é super-regulado”, diz o documento. “Melhorar o ambiente de negócios e o clima de investimentos”, “tomar todas as medidas necessárias para atrair corporações transnacionais”, “privatização em larga escala”, “criação de um mercado de terras pleno”, “desburocratização e desmonopolização da economia”, “adoção das normas básicas de mercado e padrão de mercadorias da União Europeia”, enumera o programa dentre as diversas propostas, que incluem privatização de serviços públicos e criação de um mercado de moradia competitivo. Até aqui, com exceção da referência à língua russa, estamos falando mais de neoliberais do que nacionalistas propriamente. Podemos dizer também que pontos como adoção de padrões europeus e reformas econômicas influenciam a questão geopolítica. Ainda assim, boa parte dessas reformas econômicas também são defendidas por Viktor Barbaryka, empresário bielorrusso que era tido como principal candidato de oposição a Lukashenko que está preso por crimes financeiros; Barbaryka é considerado um “amigo do Kremlin”, pró-russo. Existe uma seção perdida, a seção de “Reforma da Segurança Nacional”. Na primeira semana de protestos, surgiu na rede uma suposta reprodução do conteúdo dessa seção¹. O conteúdo é uma análise ocidentalista que enquadra o Kremlin como uma ameaça, propondo a saída do Tratado de Takshent, da União com a Rússia e medidas para fortalecer o país com “educação patriótica”. Muitos temas que já foram vistos na Ucrânia, com a identificação do Kremlin como uma ameaça tendo como consequência a proposição de medidas contra “agentes do Kremlin” dentro do país, na mídia e na sociedade civil (e, dentre elas, uma proposta de “bielorrussificação” das igrejas). Tão logo isso passou a ser denunciado na primeira semana depois das eleições, o site inteiro foi tirado do ar. A oposição, tendo entrado em um confronto prolongado que pelo visto não esperava (contando com a queda rápida de Lukashenko) sabe que esse tipo de coisa favorece o governo e cria um campo favorável para ele, por isso agora tentam se dissociar, falando deste programa como produto de uma iniciativa privada, apesar de ser uma articulação política envolvendo líderes da oposição. Tanto seus elementos de reforma econômica combinam com o que diziam políticos de oposição liberal em junho, como as supostas posições geopolíticas casam com os nacionalistas que tomam parte da coalizão (e na verdade, é um tanto óbvio que pelo menos uma parte considerável dos liberais é pró-OTAN). No mesmo dia que tal documento foi exposto na mídia estatal bielorrussa – e mais tarde, comentado por Lukashenko em reunião do Comitê Nacional de Defesa – o Conselho de Coordenação declarou oficialmente que desejam cooperar com “todos os parceiros, incluindo a Federação Russa”. Desinformação? Por mais provocativas que sejam as posições do suposto trecho do programa, é fundamentalmente o discurso normal de nacionalistas e liberais atlantistas em Belarus; agora que os dados foram lançados, é natural que a direção oposicionista que não reconhece os resultados das eleições procure se desvencilhar desses posicionamentos estranhos aos seu objetivo mais imediato, que é derrubar Lukashenko.² Ainda que os manifestantes possam ter motivações diversas, a situação atual está longe de ser livre do peso da geopolítica e das narrativas históricas que sustentam o caminhar de um país.
Notas:¹ – Procurando o trecho em russo no Google com um intervalo de tempo entre o primeiro dia de janeiro de 2020 até o primeiro dia de agosto (isto é, antes disso virar uma febre na rede russa), o próprio mecanismo de pesquisa oferece uma página do “Za Belarus” que contém o trecho, mas com um link quebrado – sinal de que há algum registro no cache do Google. A data é dia 25 de junho.
² – O Partido da Frente Popular da Bielorrússia acusou Lukashenko de “fake news” ao divulgar o que seria o seu programa como se fosse de Tikhanovskaya, tratando as medidas como “inevitáveis para Belarus” porém “fora de questão” no momento. O programa, naturalmente, é marcado pela retórica nacionalista e defende adesão de Belarus na OTAN, mas não usa o mesmo palavreado. Da mesma forma o programa do PFPB também tem princípios liberais-conservadores na economia.
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2020.08.26 15:02 HanSolo100 A teia do Benfica

A TEIA DO BENFICA
Sobre a rede de interesses e de influências que gravita em torno do nosso Clube e estrangula o desenvolvimento do Sport Lisboa e Benfica
“O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam.” — Arnold Toynbee
A citação acima relembra que todos, enquanto Benfiquistas, temos as nossas responsabilidades e não devemos deixá-las para outros sob qualquer pretexto. Esta lembrança torna-se ainda mais importante quando em causa está o nosso maior amor, O Benfica!
As relações de Poder estão por toda a parte, inclusivamente na esfera da nossa vida privada. Neste caso em particular, a esfera do Sport Lisboa e Benfica. Esfera essa que tem vindo a ser corrompida, sobretudo de 94 em diante, até aos dias de hoje em que enfrentamos consequências de vária ordem que colocam em causa todo o potencial deste gigante clube.
PREÂMBULO
No sentido de verificar e validar o que doravante apresentaremos, contactámos um historiador, Benfiquista insuspeito, salvo-conduto da nossa história e dos nossos valores que, confrontado com os dados inicialmente lançados para cima da mesa, nos disse, ipsis verbis, o seguinte:
ü - “tudo começou com a primeira máfia do futebol português, pois eles funcionam como a máfia, adiantavam dinheiro para manter os clubes presos, e essas pessoas, de que falamos, foram agentes ao serviço dessa máfia do norte, dos direitos televisivos (…) foi aí que tudo começou”, disse, referindo-se à Controlinveste, grupo empresarial dos irmãos Oliveira (António e Joaquim), proprietários da Olivedesportos.
Quer isto dizer que, nas últimas décadas de vida do nosso Clube, o revisionismo histórico tem sido um instrumento useiro e vezeiro e que a narrativa que nos tem sido vendida, afinal, é um logro que nos impede de ter uma percepção da realidade que nos permita defender o Clube e traçar-lhe o destino que é seu e que Lhe tem sido negado.
Esta investigação teve como mote o almoço anual onde participam algumas figuras que iremos abordar mais adiante. Coube, este ano, a Francisco Cortez organizar o que decorreu no passado dia 18 de julho de 2020, em Coruche. Sabidos os nomes que nele estiveram presentes, tocaram os alarmes e, ao juntar as pontas de um intricado novelo, ficou patente um elitista almoço, contrário à génese do que é o Benfica, e cujos participantes têm para si a assunção de direitos-naturais sobre o Benfica e, claro está, o seu controlo.
Antes deste evento ter lugar, assistimos à criação de uma elevada expectativa, para um messias que estaria para chegar. Propositada e estrategicamente posta em prática, a preparação para a entrada em cena de João N. Lopes foi durante semanas acompanhada de soundbytes como “fortíssima base de apoio, num projeto imponente”, nos termos de Adão e Silva, e teve como palco, como seria de esperar e com bastante tempo de antena, a Sporttv+.
Foi desta forma que, naquele espaço televisivo, foi continuada e reiteradamente anunciada, permeio de forte suspense, com pompa e circunstância a chegada de um presumível predestinado a assumir os destinos e a presidência do Benfica. A Sporttv +, de Joaquim Oliveira, não olhou a meios e disponibilizou, semanalmente, amplo tempo de antena.
Tudo isto, estrategicamente preparado para parecer extraído de um conto de fadas. Toda esta mediatização não mais foi do que uma forma de mascarar um cheiro a bafio que conspurca o Benfica há cerca de 30 anos. Uma história falsa que nos querem impingir, uma versão repetidamente contada, empolada e amplamente romanceada para mascarar a podridão com que nos presenteiam há décadas.
A reboque do almoço elitista, lembremo-nos que o Benfica é, e sempre foi, um Clube de origens populares, que sempre rejeitou as elites e cuja transparência das suas práticas democráticas sempre prevaleceu mesmo em contexto de regime autoritário, de Salazar.
A ORIGEM
Importa, pois, contextualizar todo o processo que adiante exporemos.
Manuel Damásio, o 1.º ensaísta de um Benfica das elites, deixou o Sport Lisboa e Benfica de rastos por meio de uma gestão profunda e reconhecidamente danosa que deixou o Benfica profundamente vulnerável a um homem que se soube aproveitar dessa vulnerabilidade estrutural do Benfica para nele entrar.
João Vale e Azevedo foi o que foi, um engenhoso autocrata. Ainda assim, se mérito há que deve ser reconhecido a João Vale e Azevedo (JVA), foi a coragem deste para ter rompido com a máfia do norte que mantinha o Benfica refém devido aos direitos televisivos, via Olivedesportos. Recorde-se, nesta altura estava-se em pleno processo de revolução e expansão do mercado de transmissão audiovisual de jogos de futebol.
A reação da Olivedesportos ao rasgar do contrato, assinado por Damásio em março de 1996, levado a efeito por JVA, não se fez esperar. Porventura, já precavendo aquilo que anos mais tarde se veio a confirmar, quando o acórdão do Tribunal da Relação veio conferir razão às pretensões do Benfica ao declarar a nulidade do contrato com a Olivedesportos, esta, rapidamente gizou e colocou em prática um meticuloso plano para recuperar e conservar o monopólio dos direitos de transmissão televisiva do 1.º escalão do futebol profissional.
A Olivedesportos foi, nunca é demais recordar, comprovadamente, desde logo, no âmbito das escutas do processo "Apito Dourado”, a cabeça e principal braço de uma organização criminosa que dominou o futebol português durante décadas com recurso a esquemas de corrupção altamente elaborados e enraizados nas estruturas de poder do futebol português.
É então que a família Oliveira, com recurso ao auxílio de meia dúzia dos mais argutos agentes ao seu serviço, resolve lançar uma ofensiva muito bem planeada para recuperar a influência sobre o Benfica, Clube sem o qual perderia o monopólio dos direitos televisivos, bem como o exercício de domínio total do futebol nacional e das respectivas estruturas de decisão.
Os mais destacados agentes escolhidos pela família Oliveira para materializar o insidioso plano, meticulosamente desenhado, foram, por diversas e estruturais razões, três pessoas da máxima confiança de Joaquim Oliveira. Tendo sido eles, Luís Filipe Vieira, Luís Seara Cardoso e Tinoco de Faria.
O objectivo primordial passava, pois, por estes recuperarem os direitos de transmissão televisiva das partidas de futebol do Benfica para a Olivedesportos, com quem JVA havia rompido.
Recorde-se que Luís Filipe Vieira e Luís Seara Cardoso tinham histórico de grande proximidade ao poder corrupto do norte. Ainda recordar Tinoco de Faria, representante da RTP/Olivedesportos na disputa com o Benfica sobre direitos televisivos, cuja ética se comprovaria deficitária, mais tarde, no caso do conflito de interesses entre Benfica e TBZ, das quais era simultaneamente representante. Eram os homens indicados para interpretar e materializarem os interesses dos irmãos Oliveira no Benfica.
Acontece que cedo perceberam, juntamente com Vítor Santos e outros nomes que compunham o outro lobby interessado no Poder do Benfica, o lobby do betão, que Luís Filipe Vieira, por variadíssimas razões, não teria capacidade para destronar JVA em eleições, pelo que, em consonância com o lobby do betão, havia que encontrar uma solução de bypass. Isto é, encontrar alguém com mínimos de perfil que anuísse em vencer as eleições, frente a JVA, no ano 2000, para em seguida transmitir o poder ao seu principal homem de confiança, Luís Filipe Vieira.
A solução encontrada para dar início à operacionalização do plano passou, pois, por Manuel Vilarinho. Ele que já havia estado no Benfica como diretor financeiro da desastrosa direção presidida por Manuel Damásio e que se predispunha, de resto, como o próprio já assumiu publicamente, a assumir as expensas de derrotar JVA, para, uma vez conquistado o poder no Benfica, em seguida transmiti-lo a Luís Filipe Vieira.
E assim foi. Em, simultaneamente, boa hora por um lado, e má hora por outro lado, Manuel Vilarinho derrota JVA com recurso a um discurso profundamente populista, à geração de imensas e falsas expectativas junto dos associados, com recurso à promessa fácil de trazer Mário Jardel que ficou, no entanto, por cumprir integralmente.
Foi, ainda assim, e para o que para eles verdadeiramente importava, eficaz, e escancarou as portas a quem sempre obedeceu, tendo levado para dentro do Benfica, precisamente, quem estava previsto levar com ele. Recorde-se, Luís Seara Cardoso e Tinoco de Faria.
LFV, esse, entrou meses mais tarde, tendo aproveitado esse hiato para resolver algumas pendências e lançar as bases para outras dependências estruturais, após a sua entrada, como se verificou, nomeadamente, com o corredor de transferências entre o Alverca e o Benfica, e vice-versa. A fazer lembrar o protocolo de parceria que havia assinado com Damásio quando ainda era dirigente do Alverca, mas a um nível completamente diferente e lesivo para o Benfica.
Mas sobre LFV já muito foi dito e escrito, cabendo agora ao julgo popular e das autoridades avaliar tudo aquilo que foi feito. Ao dia de hoje, só se deixam enganar os atingidos por uma profunda cegueira, que confunde Vieirismo com Benfiquismo, pelo que, passemos, portanto, a elencar e desmistificar aquilo que aqui nos traz.
Em outubro de 2000, Manuel Vilarinho vence as eleições e herda um Benfica que tinha rasgado o contrato com a Olivedesportos e outro, financeiramente muito mais vantajoso, deixado acordado com a SIC, por JVA.
É então que Manuel Vilarinho, Luís Seara Cardoso, este umbilicalmente ligado ao poder corrupto, e Tinoco de Faria, resolvem, por assim dizer, devolver os direitos de transmissão televisiva dos jogos do Benfica à Olivedesportos, não obstante o acórdão do Tribunal da Relação, entretanto, ter vindo dar provimento às pretensões do Benfica na quebra unilateral de contrato com a Olivedesportos, levada a efeito por JVA.
O Benfica, recorde-se, vivia uma penúria financeira sem precedentes, JVA havia negociado um contrato financeiramente muito mais vantajoso com a SIC e, estes senhores, agentes ao serviço do poder-corrupto, resolvem devolver os direitos à Olivedesportos servindo-lhos numa autêntica salva de prata.
As questões que ficam por colocar, entre muitas outras, são:
  1. Uma vez que o Tribunal decidiu em favor das pretensões do Benfica, dando-nos razão no diferendo que nos opunha aos interesses dos Oliveira, por que razão a Direcção do Benfica não aproveitou o momento e o enquadramento legal favorável para negociar um novo contrato?
  2. Que razões presidiram à decisão de não promover novas negociações ou um concurso entre os demais agentes presentes no mercado televisivo e, considerando a dificílima conjuntura financeira do Benfica, à data, porque não consideraram entregar os direitos de transmissão televisiva à proposta financeiramente mais alta?
  3. Estando a Olivedesportos já amplamente identificada no seio do universo benfiquista como o “ grande inimigo”, que nos queria destruir, por que razão se privou o Benfica de outras valências financeiras para enfrentar o futuro, que tão doloroso foi, para se ir entregar assim, sem mais, os direitos de transmissão às mãos do inimigo, à Olivedesportos, sem apelo nem agravo?
  4. Quem foram as partes interessadas neste desfecho?
  5. Quem lucrou com tão danosa e dolosa decisão de gestão?
O Benfica, caras e caros benfiquistas, com terminante certeza, não foi!!
O Benfica foi perturbadora e vilmente prejudicado!!
Resultado?
O Benfica passou pelas maiores amarguras e dificuldades financeiras da sua história a expensas desta decisão, de entregar numa bandeja os direitos televisivos aos irmãos Oliveira. Assim, sem mais, depois do Tribunal ter decidido no sentido que permitia ao Benfica libertar-se do garrote financeiro com que se debatia aviltantemente. Resultado disto, o FC Porto, coincidentemente, conheceu a sua década de maiores conquistas desportivas, nomeadamente, no plano internacional, enquanto se passeava por entre óbvias e concedidas facilidades nas provas domésticas.
OS INTÉRPRETES
Mas… há mais. Muito mais.
Prova disso mesmo são os incontáveis registos fotográficos só possíveis de obter por via da enormíssima vaidade pessoal e tendência para a ostentação nas redes sociais de Luís Seara Cardoso.
Mas, é só isso? - Perguntar-se-ão.
Não, muito longe de ser apenas isso. Não obstante a comprovada intimidade com o poder corrupto em registo fotográfico, assim bem como artigos produzidos que consubstanciam tudo isto. Existem registos oficiais.
Por registos oficiais, entenda-se, registos, por ex., em Diário da República.
E o que nos provam esses registos? Comprovam que coincidentemente com, pelo menos, todo o 1.º mandato de Seara Cardoso como Vice-presidente do Benfica, este mesmo Luís Seara Cardoso partilhou responsabilidades societárias com Adelino Caldeira e Angelino Ferreira, já à data homens do topo da hierarquia do FC Porto, numa sociedade denominada “Clube Imobiliário o Beco, SA”.
https://benficalivre.blogspot.com/2020/08/A-Teia-do-Benfica-1.html
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2020.08.26 00:01 MegaNose337 Privilégios e a visão social meio esquisita dos brasileiros

Eu venho de uma condição bem privilegiada, talvez alguns até chamem de berço de ouro. Nunca tive mansão, jato, carro de luxo ou qualquer coisa do tipo, digamos que eu estou na classe média alta e nunca me faltou nada, sempre tive tudo que eu precisei: estudos, alimentação, lazer, amizades, etc. Meu avô não tinha nem chegado ao ensino médio e o meu pai batalhou, trabalhou na adolescência, se formou e se tornou uma pessoa bem sucedida (uma trajetória semelhante aconteceu com a minha mãe), não vou mencionar os empregos deles aqui mais pra não me expôr tanto mesmo. Uma situação que andou me incomodando muito nesses últimos tempos é sobre como a sociedade enxerga a questão dos privilégios, pobreza, riqueza, etc. O que começou as minhas reflexões constantes e sem fim sobre essas questões foi aquela treta no twitter da menina que foi xingada porque postou fotos do passeio internacional que o colégio dela teve (eu nunca nem saí do país e adoraria visitar a Europa, mas o que diabos eu ia ganhar tentando fazer uma pessoa que já teve essa oportunidade se sentir mal?). Eu não me afetei tanto por isso porque não sofri esse tipo de comentário diretamente, mas começou a me incomodar um pouquinho mais quando as pessoas começaram a comentarem esse tipo de coisa pra cima de mim. Aquele clássico lance do "aaaaah o filhinho de papai que nunca precisou ralar na vida" ou o "aaaah playboy" ou outros comentários do tipo e eu fico "MANO?!?!". Eu nunca neguei que o Brasil possui uma tremenda desigualdade social e nem desmereci ninguém por causa de renda ou trabalho (o que eu considero não ser mais do que minha obrigação), mas mesmo assim as pessoas adoram esfregar na cara o tanto que eu tenho em relação à elas ou à realidade brasileira (inclusive bloqueei e cortei laços com várias pessoas que eu até gostava porque elas faziam isso). Eu acho que inclusive isso não fica só na classe financeira e essa "luta de classes" acabou se estendendo para todas as relações de desprivilegiado/privilegiado, principalmente no twitter ("ah, como mulheres, negros e pobres sofrem, tem mais é que debochar e avacalhar homens, brancos e ricos mesmo") o que eu acho um erro tremendo, visto que quem tá em cima também tem um papel importante na sociedade. Eu adorei esse lance da sociedade brasileira ter mudado e ter passado a achar inadmissível desprezar as pessoas simplesmente por terem menos dinheiro, mas precisava ir tão longe a ponto de inverter os pontos e debochar de quem tem dinheiro? Não faz nem sentido isso pra falar a verdade. Pra falar a verdade eu acho que isso tudo começou com essa modinha de Trap, que eu enxergo simplesmente como uma vertente do Rap só que sem mensagem e com um bando de idiota ostentando roupinha de marca, exaltando coisas erradas, tendo falas machistas, xingando brancos/ricos e chamando todo mundo que não gosta desse gênero musical de racista. Esse contexto todo fez eu me sentir bem mal com o fato de eu ter muita condição em relação à tanta gente no Brasil e acabou me transformando numa máquina esquisita de absorver conhecimento. Eu tenho 18 anos (quase 19) e estou no segundo semestre da faculdade, me esforçando muito, estudando três línguas (todas essas bem difíceis), tocando instrumentos, estudando vários conteúdos que não são do meu curso apenas pela sensação de absorver conhecimento e eu não tenho certeza se isso é o melhor caminho a se tomar, mas por enquanto isso me desperta um certo prazer. Resumindo: a desigualdade brasileira somado à esse comportamento agressivo que as pessoas tem comigo por ter mais condições me despertou uma vontade muito grande de emigrar para um país menos desigual e criar uma família por lá, onde tudo seja mais igual e livre dessa mentalidade esquisita do brasileiro.
Desculpa se o texto ficou uma merda/confuso, tava tentando juntar as ideias e ir escrevendo no impulso mesmo, sem pensar bem na estruturação do texto
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2020.08.24 07:11 aquele_esquisito Me alienei completamente em relação as pessoas (Histórias de Quarentena)

Esse ano tá sendo bem interessante para mim até agora, comecei com 23 anos, virgem, bv, com zero experiências íntimas com mulheres, sem nunca de fato ter valorizado essas aventuras, isto é, nunca ter buscado de fato. Sempre fui no menor número possível de festas, nunca engajei em nenhum tipo de flerte com uma mulher e com isso nunca cheguei perto não só das ppks alheias como não sei o que é amar uma mulher. Basicamente era um incel sem a parte de odiar as mulheres, só a de não ver necessidade em transar mesmo, sem nenhum vitimismo, *quase um assexual que sente vontade física de transar mas não psicológica. *
Pois bem "ano novo, vida nova", pensei comigo mesmo que ia mudar isso, não deve ser tão difícil, ainda sou jovem sem ser garoto demais, quase empregado, não sou horrendo, os anos de academia me transformaram em uma pessoa atraente de corpo e sou absurdamente interessado (quase de maneira autista) em saber das coisas/conceitos/ideias/ciências/formas de arte, me transformando numa máquina de boas conversas por ter assunto pra infinidade de tempo. Por que decidi mudar isso? Literalmente por pensar com o meu pau, depois dos 20 parece que minha libido triplicou e eu não via a hora de finalmente comer alguém. E aí eu ainda caí na isca de "tem mais de 20 e é virgem? teu padrão é muito alto" que me deu um falso senso de segurança, ou seja, fui em todas que deram bola.
Usando tinder já comecei a perceber que ter um grande conhecimento de vários assuntos não significa ter uma boa conversa de bate e pronto, por isso passei uns tempos dando match com qualquer menina (mesmo que longe) só pra treinar o meu gingado na conversa com elas, depois de umas semanas consegui uma melhora boa (e agora quase indo pro fim do ano já me sinto um mestre das conversas) e comecei a de fato marcar encontros.
Pelo tipo de texto que estou escrevendo você pode talvez imaginar um autista metido que se acha o rei da cocada, e é meio assim que eu me sinto comigo mesmo, mas na vida real eu consigo me passar por uma pessoa completamente normal e sociável, o lance é que eu estou fazendo força para isso internamente. Sempre achei isso meio normal porque apesar de ser extremamente introvertido nunca fui tímido e sempre convivi com coletividades de amigos ao longo da minha vida ATÉ a faculdade quando todo mundo foi separando, daí eu tenho um senso de normalidade bastante bem desenvolvido, a partir dai é questão de querer mesmo.
Primeira menina foi logo na época de carnaval (apesar de ter passado longe de blocos), foi com ela que eu perdi o BV de todas maneiras possíveis e desenvolvi mais habilidade com mulheres, saímos durante a semana quase toda (ela era de fora) mas não conseguimos transar por conta de terceiros empacando o bonde (a vontade foi tanta que chegamos a ficar nos esfregando em alguns lugares públicos). Viu? Não foi tão difícil, vou transar bem mais rápido que imaginava, eu só precisava achar alguém que morasse sozinha pra facilitar tudo. O único alerta que essa primeira vez me deu foi que eu não gostei da experiência, e eu to acostumado a não gostar de saídas sociais/fingir ser normal, passo por isso a vida inteira, mas acho que por essa vez ter aprofundado mais na minha intimidade acabei odiando mais do que uma simples ocasião social.
Sai com a segunda um tempo depois e essa era bem mais quieta e tranquila que a primeira, com essa não rolou nada e eu não fiquei tão desconfortável, depois percebi que foi porque foi basicamente um rolê que eu tenho com meus amigos, daí o nível de conforto foi proporcional a isso e não a de ir pra trocar saliva com uma mulher. Essa segunda era espetacularmente linda apesar de não parecer tão interessada como a primeira (que também era bonita!). A partir daí eu percebi que tava fácil demais e decidi tentar ser mais criterioso a fim de achar uma mulher bonita que fosse transar comigo sem as frescuras sociais, porque meu pau tava mandando em mim.
Enfim, achei uma mina com 28 anos que tava querendo, marquei um pouco antes das minhas aulas começarem mas tive que dar uma adiada por um problema, porém o encontro nunca de fato aconteceu pois por ironia divina, o corona estourou e a pandemia começou. A partir daí vou dar uma acelerada na história, pois desse início de março até hoje continuei acessando o tinder assiduamente quase como um vício de autoestima com a desculpa de treinar meu papo com mulheres, e sem intenção de quebrar a quarentena.
Fiz todos tipos de perfil possível (pedindo sexo na bio, super fofo, esquisito, descolado...) e dei match com todo tipo de mulher possível, tive várias conversas a ponto da minha habilidade social ter crescido bastante, porém acabei chegando no ponto de saturação mais que completa. Lembra quando eu disse que ia ser mais criterioso? Isso subiu absurdamente a minha cabeça a ponto de eu literalmente achar todas as mulheres do app feias ou indesejáveis de alguma forma, antes eu literalmente tinha uma certa luxúria por quase todas porém isso foi morrendo com as conversas. Porque eu começava a conversar no meu modo ultra social (quase um superego em esteroides) e levava uma conversa foda em vários lugares imagináveis, conseguia colocar as minas fissuradas em continuar a conversar comigo, me chamar pra conversar tomando iniciativa e tudo mais. Mas aí eu percebi que comecei a odiar as conversas, porque a dura realidade é que nenhuma mulher passa um tempo psicopata aprendendo a conversar com homens no tinder pra ter a conversa perfeita.
Isto é, apesar de eu tomar a dianteira, as conversas para mim começaram a ser absurdamente horríveis e pouco proveitosas, porque as mulheres em geral são seres humanos normais, que em sua maioria são completamente entediados consigo mesmo e desinteressantes. Deixou de ser sobre conquistar as meninas com a lábia das palavras para "Quero uma conversa interessante pra mim", e obviamente não encontrei ainda uma menina psicopata ao ponto de seguir o guia que eu descrevi, mesmo as boas de conversa batiam no meu ego me dizendo "nossa, se eu consegui isso com essa, talvez eu consiga algo melhor". Até agora eu consegui umas 5 meninas a tentarem me convencer a quebrar a quarentena com elas.
Olha a merda no que eu me tornei, esses últimos parágrafos são estreitamente das profundezas da minha mente, onde eu comecei a levar essas conversas de merda e encontros como achievements sociais. Que foi de certa forma como eu abordei tudo isso no começo sem perceber, quero transar porque sim, meu pau me ordena, quero perder o BV para poder falar livremente com as pessoas que eu já beijei (não gosto de mentir sobre isso e sempre admito o que sou sem vergonha quando o assunto surge em conversa com amigos) e não sou um completo inapto social por tentar e ser rejeitado. Finalmente me encontrei numa posição de poder e comecei a usar isso pra aumentar o ego pura e simplesmente, fui me tornando uma mina aleatória de only fan que coleciona macho que paga tudo pra ela (famosos simps).
"Nossa, que fanfic de adolescente retardado" pode passar pela sua mente, pois bem, a dose de realidade chegou para mim, porque apesar de não ser horrendo eu não sou nenhum modelo, então teve uma hora que eu basicamente bati no meu limite de beleza no tinder e a atenção que eu tava recebendo secou completamente. Comecei aceitando qualquer uma com um perfil super amigável e convidativo, pra aceitar até umas meninas que considero meio feias com um perfil mais interessante, pra começar a encontrar com meninas regulares/do meu nível pra até algumas mais bonitas com um perfil super esquisito (pra filtrar tipos de menina que eu não queria), e aí eu estagnei, ainda to um pouco longe do topo da pirâmide mais fui um pouco mais longe do que imaginava. Fui de perdedor de boas, para perdedor com um falso senso de poder, para perdedor carente que tentou voar muito perto do sol, tudo isso também por não gostar da ideia de correr atrás de mulher, parto do princípio que se a mina não tiver iniciativa pra vir falar comigo é porque pra ela não tem nada ali e já descarto de cara.
Eu basicamente sinto que estou passando, ao longo dos últimos anos, por um processo de alienação completo de relações sociais à lá ted kaczynski, e eu sinto que essa era uma das últimas barreiras que eu tinha pra quebrar: a do sexo oposto. Já tinha normalizado na minha cabeça a minha própria desumanização e completa insignificância, pra estender isso pra colegas/amigos/parentes, e finalmente sinto que estou me descolando do tecido dos relacionamentos, ou de mulheres no geral. O que eu achei mais perceptível desse processo foi que o meu "pensar com o pau" meio que se tornou temporário, antes eu poderia ter me masturbado ou não e ainda havia um certo desejo por mulheres, agora eu sinto que sou uma pessoa quando estou com tesão e quando não estou mais simplesmente volto a não dar a mínima pra estar com uma mulher (eu já não ligava pro aspecto de companhia da relação, agora então o sexual parece ter ido embora também assim que esvazio o saco), inclusive com algumas dessas meninas que encontrei cheguei a fazer chamadas pra ficar me masturbando e é mata conversa na certa, porque o meu tesão acumulado por aquela pessoa desaparece da face da terra com uma gozada e eu não consigo nem mais falar com ela. Não sei se já estou estragado pro sexo, porque tenho certeza que depois de transar o meu desejo vai ser ficar sozinho comendo uma pizza e ouvindo música.
Pra quem for comentar em nofap e parar de ver pornô, eu não me masturbo com tanta frequência ao longo do ano, inclusive já fiz no fap de 3 meses duas vezes (outra isca que não serve pra muita coisa), também quase não consumo pornô, minha libido é muito errática com a masturbação, posso passar um tempo me masturbando 3-4 vezes por mês (tendo muita ocupação e coisas pra resolver) para chegar uma sequência de três dias de vagabundo e me masturbar 4-5 vezes por dia, quantificando num ano passo longe de vício por punheta ou pornô.
O mais engraçado da história toda é que todo esse processo aconteceu com auxílio do isolamento físico da quarentena que me possibilitou a chegar nesse ponto de alienação sem nem transar ainda. To quase me sentindo como o androide no fim do Ex-Machina que vai pra sociedade viver como uma pessoa normal, visto que to bem perto de finalizar a faculdade, vou tentar arranjar um emprego, morar sozinho, e finalmente virar um adulto de fato, a única coisa que eu tava sentindo dever nesse quesito de amadurecimento era a parte de relacionamento, principalmente o sexo porque de fato eu nunca tive interesse em montar família com casamento/filho/cachorro/gato, nem a ideia de namorar me atraia já bem novinho justamente por desgostar dessa ideia do companheirismo, minha última esperança era transar, mas isso eu acho que nem faço mais questão de concretizar.
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2020.08.03 04:51 altovaliriano Stannis Baratheon (Parte 5)

Stannis partiu para tomar Porto Real com seu exército de vira-casacas das Terras da Tempestade e uma espada mágica na bainha. Seus navios demoraram a chegar na Baía do Água Negra e ele teve que ficar acampado à margem sul do Rio. No dia do ataque, sua frota foi destruída pelo fogovivo, mas mesmo assim seu exército continuou a avançar.
Contudo, ao avistarem o “Fantasma de Renly” os pegar pela retaguarda, o exército se quebrou e seus homens da tempestade viraram a casaca novamente. Como disse Sor Dontos:
Stannis estava enfiado no rio até o pescoço, e apanharam-no pela retaguarda. Ah, ser de novo um cavaleiro, ter participado! Segundo dizem, seus homens quase não lutaram. Alguns fugiram, mas houve mais que se renderam e mudaram de lado, gritando por Lorde Renly! O que Stannis deve ter pensado quando ouviu aquilo! […] E sabe quem comandava a vanguarda? [...] Foi Lorde Renly! Lorde Renly em sua armadura verde […].
(ACOK, Sansa VII)
A pergunta de Sor Dontos é pertinente. Stannis presenciou com seus próprios olhos todas as dádivas de Melisandre se virando contra ele.
Os homens que se juntaram a ele após a morte de Renly haviam sido ganhos com truques e feitiços. Com as mortes misteriosas de Renly e Cortnay Penrose, o próprio Stannis havia lhes aberto os olhos para o poder da magia e os instigado a temer o desconhecido. Dessa forma, não é surpreendente que estes senhores tenham acreditado que Renly havia sido ressuscitado quando viram Sor Garlan Tyrell liderando a vanguarda disfarçado com a armadura do cunhado.
A astúcia de Mindinho para propor este truque foi imensa. Foi a combinação da sensibilidade de perceber que os senhores estavam inclinados em acreditar no sobrenatural, combinado com o fato de que a armadura de que a armadura era suficiente para o disfarce e que o corpo de Renly não havia sido visto por muitos, nem mesmo por Stannis:
Sor Cortnay Penrose detém o castelo em nome de Renly, e não quer acreditar que seu suserano está morto. Exige ver os restos mortais antes de abrir os portões, mas parece que o cadáver de Renly desapareceu inexplicavelmente. mais provável é que tenha sido levado.
(ACOK, Tyrion VIII)
A parte irônica da coisa é que Stannis era considerado como a maior ameaça por Tywin, o mesmo homem que julgava Robb Stark como um adversário fácil, mas que tomou Correrio através de um ataque falso no Ramo Verde. Ou seja, GRRM está nos mostrando como comandantes experientes como Stannis e Tywin sucumbem facilmente diante de adversários astutos, enquanto que eles olham para apenas a experiência um do outro como fator determinante na batalha.
Portanto, a Batalha do Água Negra deveria servir de grande lição para Stannis; para lhe abrir os olhos de que ele está servindo de fantoche para Melisandre? Bem, sim e não.
Por mais que se diga que Melisandre “o governa, no corpo e na alma”, que ela “o obrigou” a queimar o represeiro no bosque sagrado de Ponta Tempestade, e que o fez jurar que vai “queimar também o Grande Septo de Baelor se tomar a cidade” (ACOK, Sansa IV), o leitor sabe que tudo isso não passa de uma leitura intencionalmente equivocada dos eventos.
Sabemos que a parte sobre o Grande Septo foi inventada por Tyrion (ACOK, Tyrion XI). Por mais verossímil que pareça, Stannis não jurou nada.
Já dizer que ela obrigou Stannis a queimar o represeiro parece uma inversão. É muito mais provável que ela tenha requisitado e Stannis tenha atendido a um pequeno desejo da sacerdotisa que lhe deu 20 mil homens e Ponta Tempestade. Stannis não tinha Fé no Novos Deuses e não tinha razão alguma para cultuar o Antigos. Tendo já queimado as estátuas em Pedra do Dragão, o represeiro é mínimo. Estamos vendo o mesmo tipo de coisa com Victarion fazendo concessões à Moqorro em A Dança dos Dragões.
Quanto a governar o corpo e a alma de Stannis, isso parece altamente difícil mesmo antes do fracasso da batalha.
Por um lado, apesar de que a esta altura já existirem indícios fortes que Stannis esteja se deitando com Melisandre, a única modificação visível sofrida pelo Rei é ter ficado “meio cadavérico, anos mais velho” (ACOK, Davos II). Junte-se isso ao fato de que Cersei afirma que “teria mais esperança de seduzir seu cavalo” do que o próprio Stannis (ACOK, Sansa IV) e podemos ver que essa relações são mais fonte de sofrimento do que de dependência emocional.
Por outro lado, caso Stannis fosse controlado pro Melisandre, Stannis a traria para a Água Negra. Porém, na realidade, bastou que alguém perturbasse a vaidade de Stannis para que ela fosse despachada para Pedra do Dragão.
Seus capitães e vassalos tinham insistido que um campo de batalha não era lugar para uma mulher. Só os homens da rainha tinham manifestado opinião diferente, e não com grande vigor. Mesmo assim, o rei se mostrara propenso a não lhes dar ouvidos, até que Lorde Bryce Caron disse: – Vossa Graça, se a feiticeira estiver conosco, depois da batalha os homens dirão que a vitória foi dela, não sua. Dirão que deve a coroa aos seus feitiços – isso havia mudado a maré.
(ACOK, Davos III)
É interessante que, mesmo depois de realmente dever muito a Melisandre, Baratheon queira evitar que digam que os feitiços da mulher de Asshai foram quem lhe garantiu o trono… quando isso seria em grande parte verdadeiro.
Portanto, o Rei do Coração Flamejante aparantemente está ciente de que ter seu sucesso associado a Melisandre é danoso para sua reinvidicação. Afinal, caso no futuro a feiticeira venha a contestá-lo ou se aliar a outro, muitos senhores poderão retirar seu apoio arguindo que o poder de R’hllor é que faz o rei. “O poder reside onde os homens acreditam que reside”, hã?
De todo modo, o que Rprovavelmente pensou ao ver o Fantasma de Renly foi que a previsão de Melisandre que ele pensava ter evitado ao matar o irmão e o papel de tolo que ele fez ao tentar explicar seu funcionamento a Davos:
Melisandre também viu outro dia em suas chamas. Um amanhã em que Renly chegava do sul em sua armadura verde para esmagar minha tropa sob as muralhas de Porto Real. Se tivesse encontrado meu irmão lá, podia ter sido eu a morrer em seu lugar.
Ou podia ter juntado suas forças às dele para derrubar os Lannister – Davos argumentou. – E por que não? Se ela viu dois futuros, bem… não podem ser ambos verdadeiros.
Rei Stannis apontou um dedo para ele: – É aí que erra, Cavaleiro das Cebolas. Há luzes que lançam mais do que uma sombra. Ponha-se em frente da fogueira da noite e verá por si próprio. As chamas mudam e dançam, nunca estão quietas. As sombras crescem e encolhem, e cada homem lança uma dúzia. Algumas são mais tênues do que outras, é tudo. Pois bem, os homens lançam também as suas sombras sobre o futuro. Uma sombra ou muitas. Melisandre vê todas.
(ACOK, Davos II)
Assim, o Stannis que deixa a Baía da Água Negra é um homem mais atento e cético sobre as visões nas chamas e na capacidade de Melisandre de lê-las. Paradoxalmente, também é um homem que não pode culpá-la por seu insucesso, uma vez que a deixou para trás querendo sorver sozinho toda a glória. Portanto, a combinação é que ele sabe que R’hllor é uma ferramenta muito útil, mas que precisa ser usada mais criteriosamente.
Há mentiras e mentiras, mulher. Mesmo quando essas chamas falam a verdade, estão cheias de truques, parece-me.
(ASOS, Davos IV)
Isso nos leva ao convés do barco de Salladhor Saan nas horas que se seguiram à derrota no Água Negra. Rei Stannis tinha muito o que pensar. “A derrota é a morte para o medo”, como ele mesmo havia dito (ACOK, Davos II). Seu exército retraiu-se à apenas uma fração do que era antes e sua frota foi completamente perdida, salvo pelos navios do pirata em que ele não confia e não pode pagar (Saan). Sor Davos estava supostamente morto. Ele havia sacrificado uma parte de se mesmo para matar Renly e Cortnay para nada. Edric Storm se tornara inútil como prova de sua pretensão. E ele ainda teria que decidir o que fazer com Melisandre.
Melisandre sabe perfeitamente disto. Exatamente por isso que ela passa quase o livro seguinte inteiro tentando convencer Stannis de que suas promessas de poder são reais e suas previsões se concretizarão. Em A Fúria dos Reis, a conversão de Stannis acontece porque Melisandre anuncia que Stannis é a reencarnação de um herói lendário de sua religião. Mas em A Tormenta de Espadas ela pela primeira vez combina seus esoterismos com política.
Westeros tem de se unir sob seu único rei verdadeiro, o príncipe que foi prometido, Senhor de Pedra do Dragão e escolhido de R’hllor.
(ASOS, Davos IV)
Certamente este tipo de jogada foi feito pensando em suprir as necessidades de Stannis. Da mesma forma, agora que Stannis perdeu os exércitos que lhes foram dados por Melisandre, a sacerdotisa agora fala que para conquistar o reino, Stannis precisa de dragões como Aegon, e saca uma profecia do bolso, em que o sangue do rei tem os poderes de acordar dragões de pedra.
Com Edric Storm à disposição para ser sacrificado ao invés do próprio rei, fica fácil para Melisandre propor seu sacrifício, amarrando o nó de uma previsão anterior, cuja falta de detalhes parece significar que a feiticeira não tinha ideia do que estava vendo:
Eu preciso ter o rapaz, Davos. Preciso ter. Melisandre também viu isso nas chamas.
(ACOK, Davos II)
Porém, depois de matar até mesmo o irmão e ser derrotado pelo seu Fantasma, Stannis deve acreditar que o Senhor da Luz é demasiado ambíguo para ser confiado, mesmo quando o sacrifício “necessário” lhe pareça ínfimo.
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2020.07.30 23:04 versattes Como eu posso agregar valor nessa nova realidade?

É meio off-topic em relação ao foco do sub, porem pergunto isso aqui pelo publico que acessa.
Eu sou da area de administração e gosto da area, as coisas estão mudando muito rapidamente e to meio perdido em relação ao que estudar para poder agregar algum valor nessa realidade.
Eu ja pensei em aprender chines ja que o brasil é basicamente um exportador de commodities pra china e isso podia facilitar relacionamentos comercias tanto com a China quanto com Taiwan, porem eu falo bem ingles e talvez isso seja suficiente pra boa parte das relações.
Eu to fora do mercado de trabalho no momento e gostaria de me dedicar a algo que pudesse agregar algum valor à nossa realidade econômica de forma a me inserir no mercado.
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2020.07.23 10:09 diplohora Mes estudos para o CACD - Bruno Pereira Rezende

Livro do diplomata Bruno Pereira Rezende
INTRODUÇÃO
📷📷Desde quando comecei os estudos para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), li dezenas de recomendações de leituras, de guias de estudos extraoficiais, de dicas sobre o concurso, sobre cursinhos preparatórios etc. Sem dúvida, ter acesso a tantas informações úteis, vindas de diversas fontes, foi fundamental para que eu pudesse fazer algumas escolhas certas em minha preparação, depois de algumas vacilações iniciais. Mesmo assim, além de a maioria das informações ter sido conseguida de maneira dispersa, muitos foram os erros que acho que eu poderia haver evitado. Por isso, achei que poderia ser útil reunir essas informações que coletei, adicionando um pouco de minha experiência com os estudos preparatórios para o CACD neste documento.
Além disso, muitas pessoas, entre conhecidos e desconhecidos, já vieram me pedir sugestões de leituras, de métodos de estudo, de cursinhos preparatórios etc., e percebi que, ainda que sempre houvesse alguma diferenciação entre as respostas, eu acabava repetindo muitas coisas. É justamente isso o que me motivou a escrever este documento – que, por não ser (nem pretender ser) um guia, um manual ou qualquer coisa do tipo, não sei bem como chamá-lo, então fica como “documento” mesmo, um relato de minhas experiências de estudos para o CACD. Espero que possa ajudar os interessados a encontrar, ao menos, uma luz inicial para que não fiquem tão perdidos nos estudos e na preparação para o concurso.
Não custa lembrar que este documento representa, obviamente, apenas a opinião pessoal do autor, sem qualquer vínculo com o Ministério das Relações Exteriores, com o Instituto Rio Branco ou com o governo brasileiro. Como já disse, também não pretendo que seja uma espécie de guia infalível para passar no concurso. Além disso, o concurso tem sofrido modificações frequentes nos últimos anos, então pode ser que algumas coisas do que você lerá a seguir fiquem ultrapassadas daqui a um ou dois concursos. De todo modo, algumas coisas são básicas e podem ser aplicadas a qualquer situação de prova que vier a aparecer no CACD, e é necessário ter o discernimento necessário para aplicar algumas coisas do que falarei aqui a determinados contextos. Caso você tenha dúvidas, sugestões ou críticas, fique à vontade e envie-as para [[email protected] ](mailto:[email protected])(se, por acaso, você tiver outro email meu, prefiro que envie para este, pois, assim, recebo tudo mais organizado em meu Gmail). Se tiver comentários ou correções acerca deste material, peço, por favor, que também envie para esse email, para que eu possa incluir tais sugestões em futura revisão do documento.
Além desta breve introdução e de uma também brevíssima conclusão, este documento tem quatro partes. Na primeira, trato, rapidamente, da carreira de Diplomata: o que faz, quanto ganha, como vai para o exterior etc. É mais uma descrição bem ampla e rápida, apenas para situar quem, porventura, estiver um pouco mais perdido. Se não estiver interessado, pode pular para as partes seguintes, se qualquer prejuízo para seu bom entendimento. Na segunda parte, trato do concurso: como funciona, quais são os pré-requisitos para ser diplomata, quais são as fases do concurso etc. Mais uma vez, se não interessar, pule direto para a parte seguinte. Na parte três, falo sobre a preparação para o concurso (antes e durante), com indicações de cursinhos, de professores particulares etc. Por fim, na quarta parte, enumero algumas sugestões de leituras (tanto próprias quanto coletadas de diversas fontes), com as devidas considerações pessoais sobre cada uma. Antes de tudo, antecipo que não pretendo exaurir toda a bibliografia necessária para a aprovação, afinal, a cada ano, o concurso cobra alguns temas específicos. O que fiz foi uma lista de obras que auxiliaram em minha preparação (e, além disso, também enumerei muitas sugestões que recebi, mas não tive tempo ou vontade de ler – o que também significa que, por mais interessante que seja, você não terá tempo de ler tudo o que lhe recomendam por aí, o que torna necessário é necessário fazer algumas escolhas; minha intenção é auxiliá-lo nesse sentido, na medida do possível).
Este documento é de uso público e livre, com reprodução parcial ou integral autorizada, desde que citada a fonte. Sem mais, passemos ao que interessa.
Parte I – A Carreira de Diplomata
INTRODUÇÃO
Em primeiro lugar, rápida apresentação sobre mim. Meu nome é Bruno Rezende, tenho 22 anos e fui aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) de 2011. Sou graduado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (turma LXII, 2007-20110), e não tinha certeza de que queria diplomacia até o meio da universidade. Não sei dizer o que me fez escolher a diplomacia, não era um sonho de infância ou coisa do tipo, e não tenho familiares na carreira. Acho que me interessei por um conjunto de aspectos da carreira. Comecei a preparar-me para o CACD em meados de 2010, assunto tratado na Parte III, sobre a preparação para o concurso.
Para maiores informações sobre o Ministério das Relações Exteriores (MRE), sobre o Instituto Rio Branco (IRBr), sobre a vida de diplomata etc., você pode acessar os endereços:
- Página do MRE: http://www.itamaraty.gov.b
- Página do IRBr: http://www.institutoriobranco.mre.gov.bpt-b
- Canal do MRE no YouTube: http://www.youtube.com/mrebrasil/
- Blog “Jovens Diplomatas”: http://jovensdiplomatas.wordpress.com/
- Comunidade “Coisas da Diplomacia” no Orkut (como o Orkut está ultrapassado, procurei reunir todas as informações úteis sobre o concurso que encontrei por lá neste documento, para que vocês não tenham de entrar lá, para procurar essas informações):
http://www.orkut.com.bMain#Community?cmm=40073
- Comunidade “Instituto Rio Branco” no Facebook: http://www.facebook.com/groups/institutoriobranco/
Com certeza, há vários outros blogs (tanto sobre a carreira quanto sobre a vida de diplomata), mas não conheço muitos. Se tiver sugestões, favor enviá-las para [[email protected].](mailto:[email protected])
Além disso, na obra O Instituto Rio Branco e a Diplomacia Brasileira: um estudo de carreira e socialização (Ed. FGV, 2007), a autora Cristina Patriota de Moura relata aspectos importantes da vida diplomática daqueles que ingressam na carreira. Há muitas informações desatualizadas (principalmente com relação ao concurso), mas há algumas coisas interessantes sobre a carreira, e o livro é bem curto.
A DIPLOMACIA E O TRABALHO DO DIPLOMATA
Com a intensificação das relações internacionais contemporâneas e com as mudanças em curso no contexto internacional, a demanda de aprimoramento da cooperação entre povos e países tem conferido destaque à atuação da diplomacia. Como o senso comum pode indicar corretamente, o
diplomata é o funcionário público que lida com o auxílio à Presidência da República na formulação da política externa brasileira, com a condução das relações da República Federativa do Brasil com os demais países, com a representação brasileira nos fóruns e nas organizações internacionais de que o país faz parte e com o apoio aos cidadãos brasileiros residentes ou em trânsito no exterior. Isso todo mundo que quer fazer o concurso já sabe (assim espero).
Acho que existem certos mitos acerca da profissão de diplomata. Muitos acham que não irão mais pagar multa de trânsito, que não poderão ser presos, que nunca mais pegarão fila em aeroporto etc. Em primeiro lugar, não custa lembrar que as imunidades a que se referem as Convenções de Viena sobre Relações Diplomáticas e sobre Relações Consulares só se aplicam aos diplomatas no exterior (e nos países em que estão acreditados). No Brasil, os diplomatas são cidadãos como quaisquer outros. Além disso, imunidade não é sinônimo de impunidade, então não ache que as imunidades são as maiores vantagens da vida de um diplomata. O propósito das imunidades é apenas o de tornar possível o trabalho do diplomata no exterior, sem empecilhos mínimos que poderiam obstar o bom exercício da profissão. Isso não impede que diplomatas sejam revistados em aeroportos, precisem de vistos, possam ser julgados, no Brasil, por crimes cometidos no exterior etc.
Muitos também pensam que irão rodar o mundo em primeira classe, hospedar-se em palácios suntuosos, passear de iate de luxo no Mediterrâneo e comer caviar na cerimônia de casamento do príncipe do Reino Unido. Outros ainda acham que ficarão ricos, investirão todo o dinheiro que ganharem na Bovespa e, com três anos de carreira, já estarão próximos do segundo milhão. Se você quer ter tudo isso, você está no concurso errado, você precisa de um concurso não para diplomata, mas para marajá. Obviamente, não tenho experiência suficiente na carreira para dizer qualquer coisa, digo apenas o que já li e ouvi de diversos comentários por aí. É fato que há carreiras públicas com salários mais altos. Logo, se você tiver o sonho de ficar rico com o salário de servidor público, elas podem vir a ser mais úteis nesse sentido. Há não muito tempo, em 2006, a remuneração inicial do Terceiro-Secretário (cargo inicial da carreira de diplomata), no Brasil, era de R$ 4.615,53. Considerando que o custo de vida em Brasília é bastante alto, não dava para viver de maneira tão abastada, como alguns parecem pretender. É necessário, entretanto, notar que houve uma evolução significativa no aspecto salarial, nos últimos cinco anos (veja a seç~o seguinte, “Carreira e Salrios). De todo modo, já vi vários diplomatas com muitos anos de carreira dizerem: “se quiser ficar rico, procure outra profissão”. O salário atual ajuda, mas não deve ser sua única motivação.
H um texto ótimo disponível na internet: “O que é ser diplomata”, de César Bonamigo, que reproduzo a seguir.
O Curso Rio Branco, que frequentei em sua primeira edição, em 1998, pediu-me para escrever sobre o que é ser diplomata. Tarefa difícil, pois a mesma pergunta feita a diferentes diplomatas resultaria, seguramente, em respostas diferentes, umas mais glamourosas, outras menos, umas ressaltando as vantagens, outras as desvantagens, e não seria diferente se a pergunta tratasse de outra carreira qualquer. Em vez de falar de minhas impressões pessoais, portanto, tentarei, na medida do possível, reunir observações tidas como “senso comum” entre diplomatas da minha geraç~o.
Considero muito importante que o candidato ao Instituto Rio Branco se informe sobre a realidade da carreira diplomática, suas vantagens e desvantagens, e que dose suas expectativas de acordo. Uma expectativa bem dosada não gera desencanto nem frustração. A carreira oferece um pacote de coisas boas (como a oportunidade de conhecer o mundo, de atuar na área política e econômica, de conhecer gente interessante etc.) e outras não tão boas (uma certa dose de burocracia, de hierarquia e dificuldades no equacionamento da vida familiar). Cabe ao candidato inferir se esse pacote poderá ou não fazê-lo feliz.
O PAPEL DO DIPLOMATA
Para se compreender o papel do diplomata, vale recordar, inicialmente, que as grandes diretrizes da política externa são dadas pelo Presidente da República, eleito diretamente pelo voto popular, e pelo Ministro das Relações Exteriores, por ele designado. Os diplomatas são agentes políticos do Governo, encarregados da implementação dessa política externa. São também servidores públicos, cuja função, como diz o nome, é servir, tendo em conta sua especialização nos temas e funções diplomáticos.
Como se sabe, é função da diplomacia representar o Brasil perante a comunidade internacional. Por um lado, nenhum diplomata foi eleito pelo povo para falar em nome do Brasil. É importante ter em mente, portanto, que a legitimidade de sua ação deriva da legitimidade do Presidente da República, cujas orientações ele deve seguir. Por outro lado, os governos se passam e o corpo diplomático permanece, constituindo elemento importante de continuidade da política externa brasileira. É tarefa essencial do diplomata buscar identificar o “interesse nacional”. Em negociações internacionais, a diplomacia frequentemente precisa arbitrar entre interesses de diferentes setores da sociedade, não raro divergentes, e ponderar entre objetivos econômicos, políticos e estratégicos, com vistas a identificar os interesses maiores do Estado brasileiro.
Se, no plano externo, o Ministério das Relações Exteriores é a face do Brasil perante a comunidade de Estados e Organizações Internacionais, no plano interno, ele se relaciona com a Presidência da República, os demais Ministérios e órgãos da administração federal, o Congresso, o Poder Judiciário, os Estados e Municípios da Federação e, naturalmente, com a sociedade civil, por meio de Organizações Não Governamentais (ONGs), da Academia e de associações patronais e trabalhistas, sempre tendo em vista a identificação do interesse nacional.
O TRABALHO DO DIPLOMATA
Tradicionalmente, as funções da diplomacia são representar (o Estado brasileiro perante a comunidade internacional), negociar (defender os interesses brasileiros junto a essa comunidade) e informar (a Secretaria de Estado, em Brasília, sobre os temas de interesse brasileiro no mundo). São também funções da diplomacia brasileira a defesa dos interesses dos cidadãos brasileiros no exterior, o que é feito por meio da rede consular, e a promoção de interesses do País no exterior, tais como interesses econômico-comerciais, culturais, científicos e tecnológicos, entre outros.
No exercício dessas diferentes funções, o trabalho do diplomata poderá ser, igualmente, muito variado. Para começar, cerca de metade dos mil1 diplomatas que integram o Serviço Exterior atua no Brasil, e a outra metade nos Postos no exterior (Embaixadas, Missões, Consulados e Vice-Consulados). Em Brasília, o diplomata desempenha funções nas áreas política, econômica e administrativa, podendo cuidar de temas tão diversos quanto comércio internacional, integração regional (Mercosul), política bilateral (relacionamento do Brasil com outros países e blocos), direitos humanos, meio ambiente ou administração física e financeira do Ministério. Poderá atuar, ainda, no Cerimonial (organização dos encontros entre autoridades brasileiras e estrangeiras, no Brasil e no exterior) ou no relacionamento do Ministério com a sociedade (imprensa, Congresso, Estados e municípios, Academia, etc.).
No exterior, também, o trabalho dependerá do Posto em questão. As Embaixadas são representações do Estado brasileiro junto aos outros Estados, situadas sempre nas capitais, e desempenham as funções tradicionais da diplomacia (representar, negociar, informar), além de promoverem o Brasil junto a esses Estados. Os Consulados, Vice-Consulados e setores consulares de Embaixadas podem situar-se na capital do país ou em outra cidade onde haja uma comunidade brasileira expressiva. O trabalho nesses Postos é orientado à defesa dos interesses dos cidadãos brasileiros no exterior. Nos Postos multilaterais (ONU, OMC, FAO, UNESCO, UNICEF, OEA etc.), que podem ter natureza política, econômica ou estratégica, o trabalho envolve, normalmente, a representação e a negociação dos interesses nacionais.
O INGRESSO NA CARREIRA
A carreira diplomática se inicia, necessariamente, com a aprovação no concurso do Instituto Rio Branco (Informações sobre o concurso podem ser obtidas no site http://www2.mre.gov.birbindex.htm). Para isso, só conta a competência – e, talvez, a sorte – do candidato. Indicações políticas não ajudam.
AS REMOÇÕES
Após os dois anos de formação no IRBr , o diplomata trabalhará em Brasília por pelo menos um ano. Depois, iniciam-se ciclos de mudança para o exterior e retornos a Brasília. Normalmente, o diplomata vai para o exterior, onde fica três anos em um Posto, mais três anos em outro Posto, e retorna a Brasília, onde fica alguns anos, até o início de novo ciclo. Mas há espaço para flexibilidades. O diplomata poderá sair para fazer um Posto apenas, ou fazer três Postos seguidos antes de retornar a Brasília. Isso dependerá da conveniência pessoal de cada um. Ao final da carreira, o diplomata terá passado vários anos no exterior e vários no Brasil, e essa proporção dependerá essencialmente das escolhas feitas pelo próprio diplomata. Para evitar que alguns diplomatas fiquem sempre nos “melhores Postos” – um critério, aliás, muito relativo – e outros em Postos menos privilegiados, os Postos no exterior estão divididos em [quatro] categorias, [A, B, C e D], obedecendo a critérios não apenas de qualidade de vida, mas também geográficos, e é seguido um sistema de rodízio: após fazer um Posto C, por exemplo, o diplomata terá direito a fazer um Posto A [ou B], e após fazer um Posto A, terá que fazer um Posto [B, C ou D].
AS PROMOÇÕES
Ao tomar posse no Serviço Exterior, o candidato aprovado no concurso torna-se Terceiro-Secretário. É o primeiro degrau de uma escalada de promoções que inclui, ainda, Segundo-Secretário, Primeiro-
-Secretário, Conselheiro, Ministro de Segunda Classe (costuma-se dizer apenas “Ministro”) e Ministro de Primeira Classe (costuma-se dizer apenas “Embaixador”), nessa ordem. Exceto pela primeira promoção, de Terceiro para Segundo-Secretário, que se dá por tempo (quinze Terceiros Secretários são promovidos a cada semestre), todas as demais dependem do mérito, bem como da articulação política do diplomata. Nem todo diplomata chega a Embaixador. Cada vez mais, a competição na carreira é intensa e muitos ficam no meio do caminho. Mas, não se preocupem e também não se iludam: a felicidade não está no fim, mas ao longo do caminho!
DIRECIONAMENTO DA CARREIRA
Um questionamento frequente diz respeito à possibilidade de direcionamento da carreira para áreas específicas. É possível, sim, direcionar uma carreira para um tema (digamos, comércio internacional, direitos humanos, meio ambiente etc.) ou mesmo para uma região do mundo (como a Ásia, as Américas ou a África, por exemplo), mas isso não é um direito garantido e poderá não ser sempre possível. É preciso ter em mente que a carreira diplomática envolve aspectos políticos, econômicos e administrativos, e que existem funções a serem desempenhadas em postos multilaterais e bilaterais em todo o mundo, e n~o só nos países mais “interessantes”. Diplomatas est~o envolvidos em todas essas variantes e, ao longo de uma carreira, ainda que seja possível uma certa especialização, é provável que o diplomata, em algum momento, atue em áreas distintas daquela em que gostaria de se concentrar.
ASPECTOS PRÁTICOS E PESSOAIS
É claro que a vida é muito mais que promoções e remoções, e é inevitável que o candidato queira saber mais sobre a carreira que o papel do diplomata. Todos precisamos cuidar do nosso dinheiro, da saúde, da família, dos nossos interesses pessoais. Eu tentarei trazem um pouco de luz sobre esses aspectos.
DINHEIRO
Comecemos pelo dinheiro, que é assunto que interessa a todos. Em termos absolutos, os diplomatas ganham mais quando estão no exterior do que quando estão em Brasília. O salário no exterior, no entanto, é ajustado em função do custo de vida local, que é frequentemente maior que no Brasil. Ou seja, ganha-se mais, mas gasta-se mais. Se o diplomata conseguirá ou não economizar dependerá i) do salário específico do Posto , ii) do custo de vida local, iii) do câmbio entre a moeda local e o dólar, iv) do fato de ele ter ou não um ou mais filhos na escola e, principalmente, v) de sua propensão ao consumo. Aqui, não há regra geral. No Brasil, os salários têm sofrido um constante desgaste, especialmente em comparação com outras carreiras do Governo Federal, frequentemente obrigando o diplomata a economizar no exterior para gastar em Brasília, se quiser manter seu padrão de vida. Os diplomatas, enfim, levam uma vida de classe média alta, e a certeza de que não se ficará rico de verdade é compensada pela estabilidade do emprego (que não é de se desprezar, nos dias de hoje) e pela expectativa de que seus filhos (quando for o caso) terão uma boa educação, mesmo para padrões internacionais.
SAÚDE
Os diplomatas têm um seguro de saúde internacional que, como não poderia deixar de ser, tem vantagens e desvantagens. O lado bom é que ele cobre consultas com o médico de sua escolha, mesmo que seja um centro de excelência internacional. O lado ruim é que, na maioria das vezes, é preciso fazer o desembolso (até um teto determinado) para depois ser reembolsado, geralmente em 80% do valor, o que obriga o diplomata a manter uma reserva financeira de segurança.
FAMÍLIA : O CÔNJUGE
Eu mencionei, entre as coisas n~o t~o boas da carreira, “dificuldades no equacionamento da vida familiar”. A primeira dificuldade é o que fará o seu cônjuge (quando for o caso) quando vocês se mudarem para Brasília e, principalmente, quando forem para o exterior. Num mundo em que as famílias dependem, cada vez mais, de dois salários, equacionar a carreira do cônjuge é um problema recorrente. Ao contrário de certos países desenvolvidos, o Itamaraty não adota a política de empregar ou pagar salários a cônjuges de diplomatas. Na prática, cada um se vira como pode. Em alguns países é possível trabalhar. Fazer um mestrado ou doutorado é uma opção. Ter filhos é outra...
Mais uma vez, não há regra geral, e cada caso é um caso. O equacionamento da carreira do cônjuge costuma afetar principalmente – mas não apenas – as mulheres, já que, por motivos culturais, é mais comum o a mulher desistir de sua carreira para seguir o marido que o contrário2.
CASAMENTO ENTRE DIPLOMATAS
Os casamentos entre diplomatas não são raros. É uma situação que tem a vantagem de que ambos têm uma carreira e o casal tem dois salários. A desvantagem é a dificuldade adicional em conseguir que ambos sejam removidos para o mesmo Posto no exterior. A questão não é que o Ministério vá separar esses casais, mas que se pode levar mais tempo para conseguir duas vagas num mesmo Posto. Antigamente, eram frequentes os casos em que as mulheres interrompiam temporariamente suas carreiras para acompanhar os maridos. Hoje em dia, essa situação é exceção, não a regra.
FILHOS
Não posso falar com conhecimento de causa sobre filhos, mas vejo o quanto meus colegas se desdobram para dar-lhes uma boa educação. Uma questão central é a escolha da escola dos filhos, no Brasil e no exterior. No Brasil, a escola será normalmente brasileira, com ensino de idiomas, mas poderá ser a americana ou a francesa, que mantém o mesmo currículo e os mesmos períodos escolares em quase todo o mundo. No exterior, as escolas americana e francesa são as opções mais frequentes,
podendo-se optar por outras escolas locais, dependendo do idioma. Outra questão, já mencionada, é o custo da escola. Atualmente, não existe auxílio-educação para filhos de diplomatas ou de outros Servidores do Serviço Exterior brasileiro, e o dinheiro da escola deve sair do próprio bolso do servidor.
CÉSAR AUGUSTO VERMIGLIO BONAMIGO - Diplomata. Engenheiro Eletrônico formado pela UNICAMP. Pós- graduado em Administração de Empresas pela FGV-SP. Programa de Formação e Aperfeiçoamento - I (PROFA -
I) do Instituto Rio Branco, 2000/2002. No Ministério das Relações Exteriores, atuou no DIC - Divisão de Informação Comercial (DIC), 2002; no DNI - Departamento de Negociações Internacionais, 2003, e na DUEX - Divisão de União Europeia e Negociações Extrarregionais. Atualmente, serve na Missão junto à ONU (DELBRASONU), em NYC.
2 Conforme comunicado do MRE de 2010, é permitida a autorização para que diplomatas brasileiros solicitem passaporte diplomático ou de serviço e visto de permanência a companheiros do mesmo sexo. Outra resolução, de 2006, já permitia a inclusão de companheiros do mesmo sexo em planos de assistência médica.
Para tornar-se diplomata, é necessário ser aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), que ocorre todos os anos, no primeiro semestre (normalmente). O número de vagas do CACD, em condições normais, depende da vacância de cargos. Acho que a quantidade normal deve girar entre 25 e 35, mais ou menos. Desde meados dos anos 2000, como consequência da aprovação de uma lei federal, o Ministério das Relações Exteriores (MRE/Itamaraty3) ampliou seus quadros da carreira de diplomata, e, de 2006 a 2010, foram oferecidas mais de cem vagas anuais. Com o fim dessa provisão de cargos, o número de vagas voltou ao normal em 2011, ano em que foram oferecidas apenas 26 vagas (duas delas reservadas a portadores de deficiência física4). Para os próximos concursos, há perspectivas de aprovação de um projeto de lei que possibilitará uma oferta anual prevista de 60 vagas para o CACD, além de ampliar, também, as vagas para Oficial de Chancelaria (PL 7579/2010). Oficial de Chancelaria, aproveitando que citei, é outro cargo (também de nível superior) do MRE, mas não integra o quadro diplomático. A remuneração do Oficial de Chancelaria, no Brasil, é inferior à de Terceiro-Secretário, mas os salários podem ser razoáveis quando no exterior. Já vi muitos casos de pessoas que passam no concurso de Oficial de Chancelaria e ficam trabalhando no MRE, até que consigam passar no CACD, quando (aí sim) tornam-se diplomatas.
Para fazer parte do corpo diplomático brasileiro, é necessário ser brasileiro nato, ter diploma válido de curso superior (caso a graduação tenha sido realizada em instituição estrangeira, cabe ao candidato providenciar a devida revalidação do diploma junto ao MEC) e ser aprovado no CACD (há, também, outros requisitos previstos no edital do concurso, como estar no gozo dos direitos políticos, estar em dia com as obrigações eleitorais, ter idade mínima de dezoito anos, apresentar aptidão física e mental para o exercício do cargo e, para os homens, estar em dia com as obrigações do Serviço Militar). Os aprovados entram para a carreira no cargo de Terceiro-Secretário (vide hierarquia na próxima seç~o, “Carreira e Salrios”). Os aprovados no CACD, entretanto, não iniciam a carreira trabalhando: há, inicialmente, o chamado Curso de Formação, que se passa no Instituto Rio Branco (IRBr). Por três semestres, os aprovados no CACD estudarão no IRBr, já recebendo o salário de Terceiro-Secretário (para remunerações, ver a próxima seç~o, “Hierarquia e Salrios).
O trabalho no Ministério começa apenas após um ou dois semestres do Curso de Formação no IRBr (isso pode variar de uma turma para outra), e a designação dos locais de trabalho (veja as subdivisões do MRE na página seguinte) é feita, via de regra, com base nas preferências individuais e na ordem de classificação dos alunos no Curso de Formação.
3 O nome “Itamaraty” vem do nome do antigo proprietrio da sede do Ministério no Rio de Janeiro, o Bar~o Itamaraty. Por metonímia, o nome pegou, e o Palácio do Itamaraty constitui, atualmente, uma dependência do MRE naquela cidade, abrigando um arquivo, uma mapoteca e a sede do Museu Histórico e Diplomático. Em Brasília, o Palácio Itamaraty, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1970, é a atual sede do MRE. Frequentemente, “Itamaraty” é usado como sinônimo de Ministério das Relações Exteriores.
4 Todos os anos, há reserva de vagas para deficientes físicos. Se não houver número suficiente de portadores de deficiência que atendam às notas mínimas para aprovação na segunda e na terceira fases do concurso, que têm caráter eliminatório, a(s) vaga(s) restante(s) é(são) destinada(s) aos candidatos da concorrência geral.
O IRBr foi criado em 1945, em comemoração ao centenário de nascimento do Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira. Como descrito na página do Instituto na internet, seus principais objetivos são:
harmonizar os conhecimentos adquiridos nos cursos universitários com a formação para a carreira diplomática (já que qualquer curso superior é válido para prestar o CACD);
desenvolver a compreensão dos elementos básicos da formulação e execução da política externa brasileira;
iniciar os alunos nas práticas e técnicas da carreira.
No Curso de Formação (cujo nome oficial é PROFA-I, Programa de Formação e Aperfeiçoamento - obs.: n~o sei o motivo do “I”, n~o existe “PROFA-II”), os diplomatas têm aulas obrigatórias de: Direito Internacional Público, Linguagem Diplomática, Teoria das Relações Internacionais, Economia, Política Externa Brasileira, História das Relações Internacionais, Leituras Brasileiras, Inglês, Francês e Espanhol. Há, ainda, diversas disciplinas optativas à escolha de cada um (como Chinês, Russo, Árabe, Tradução, Organizações Internacionais, OMC e Contenciosos, Políticas Públicas, Direito da Integração, Negociações Comerciais etc.). As aulas de disciplinas conceituais duram dois semestres. No terceiro semestre de Curso de Formação, só há aulas de disciplinas profissionalizantes. O trabalho no MRE começa, normalmente, no segundo ou no terceiro semestre do Curso de Formação (isso pode variar de uma turma para outra). É necessário rendimento mínimo de 60% no PROFA-I para aprovação (mas é praticamente impossível alguém conseguir tirar menos que isso). Após o término do PROFA-I, começa a vida de trabalho propriamente dito no MRE. Já ouvi um mito de pedida de dispensa do PROFA I para quem já é portador de título de mestre ou de doutor, mas, na prática, acho que isso não acontece mais.
Entre 2002 e 2010, foi possível fazer, paralelamente ao Curso de Formação, o mestrado em diplomacia (na prática, significava apenas uma matéria a mais). Em 2011, o mestrado em diplomacia no IRBr acabou.
Uma das atividades comuns dos estudantes do IRBr é a publicação da Juca, a revista anual dos alunos do Curso de Formação do Instituto. Segundo informações do site do IRBr, “[o] termo ‘Diplomacia e Humanidades’ define os temas de que trata a revista: diplomacia, ciências humanas, artes e cultura. A JUCA visa a mostrar a produção acadêmica, artística e intelectual dos alunos da academia diplomática brasileira, bem como a recuperar a memória da política externa e difundi-la nos meios diplomático e acadêmico”. Confira a página da Juca na internet, no endereço: http://juca.irbr.itamaraty.gov.bpt-bMain.xml.
Para saber mais sobre a vida de diplomata no Brasil e no exterior, sugiro a conhecida “FAQ do Godinho” (“FAQ do Candidato a Diplomata”, de Renato Domith Godinho), disponível para download no link: http://relunb.files.wordpress.com/2011/08/faq-do-godinho.docx. Esse arquivo foi escrito há alguns anos, então algumas coisas estão desatualizadas (com relação às modificações do concurso, especialmente). De todo modo, a parte sobre o trabalho do diplomata continua bem informativa e atual.
MEUS ESTUDOS PARA O CACD – http://relunb.wordpress.com
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2020.07.23 08:00 moonlich E-mail

O e-mail é um sistema profissional de comunicação, organização e manutenção de contatos.
O nome eletronic mail é muito interessante pois dificilmente imaginar-se-ia uma carta eletrônica chegando por correio. Um tablet é algo que podemos comparar pois ele tem o tamanho variável entre um papel A5 e algo menor que um A4 e pela compilação e armazenamento de arquivos, mas principalmente os que podemos escrever, diríamos que é um escritório e um amontoado de papéis em um dispositivo.
Alguns métodos de referência para contato denominam o contato virtual como endereço eletrônico. "Ah! Não tem um endereço com rua e CEP" mas se somarmos ou utilizarmos com referência um perfil social como sendo a casa, o e-mail vira a caixa de correios. Os meios de transporte seriam as mensagens e as ondas pelas quais elas viajam para chegar ao destinatário, a estrada.
Mas um endereço é só uma formalidade. A parte física desta cidade é o hardware. O terreno com a natureza, as cidades e suas casas são as placas. Os bytes seriam uma referência ao porte, a qualidade e o desenvolvimento tem a ver com a potência e efetividade das outras placas como as de som e vídeo. Logo, todo hardware, interligado como os computadores e televisões quanto um externo é uma espécie de versão alternativa da realidade e da ficção, até porque um mp3 player é uma espaçonave com uma tripulação.
O amigo leitor pode estar se indagando: tá eu nunca pensei nisto e não sou imaginativo. Tudo bem, eu continuo escrevendo e compartilhando como as dimensões virtuais e físicas podem dialogar.
Os pendrives são veículos brutos.
Quando eu disse mais acima sobre o celular e as mensagens são dimensões que podem ou não se conectar. Juntar tudo em um único mundo é informação demais por isto existem títulos e títulos de séries e cada uma aborda o que consegue, desde que faça sentido. Devido a esta busca por sentido e arsenal de recursos mentais, alguns autores e diretores podem se perder ao tentar alocar elementos que os agradam sem possuir uma plataforma, atores (ou ativos) que tenham capacidade técnica.
Uau, uau! Você foi longe demais agora, cara!
Um dos meus temas favoritos são as relações interespécies...e quando determinamos que os nossos dispositivos são os humanos e suas máquinas, como ficam os animais do seu jardim?
Bom, sabe aquele besourinho ? Ele passa a ser o alienígena em armadura.
E com a tecla enter, eu migro para outra dimensão (parágrafo) para falar-lhes de fantasia, deixando a ficção.
Os pássaros são os feiticeiros dos filmes. Sorry the ultimate spoiler has been released.
Enfim, brinks a parte...por que não? Quer bicho mais esperto que estes? Cuidado com o urubu, estes magos das trevas.
E se tomarmos a torcida do Flamengo como os Urukhais, teremos aí uma forma de lidar com estes baderneiros no próximo campeonato. A verdade é que tem sempre mais caras maus que bonzinhos e se eu não ajudo nossos heróis da vida real com um pouquinho de abstração, as crianças não se divertirão quando o pagodão da laje ficar insuportável e favorecendo os orcs.
kk rsrs jajaj salksjasaspaosk olha que legal
Aqui, depois vou postar mais, valeu galera! falou, fui! E quando digo fui eu volto depois, hahah agora é sério, ciao muchachas
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2020.07.21 09:03 Emile-Principe O Problema da Distribuição não é o Centro da Economia — Comentários sobre “O Capital no Século 21” - Tradução de Gabriel Gonçalves Martinez

Zhou Xincheng*
Com a publicação de “O Capital no Século 21” de Thomas Piketty, há muita discussão nos círculos econômicos. Isso é compreensível, porque o problema da distribuição sempre afetou o coração das pessoas. Na China, desde a década de 90 do século passado, o problema da distribuição é cada vez mais proeminente, piora a diferença de renda, e aumenta a voz das pessoas pedindo por prosperidade comum. É inevitável que os economistas falem sobre o problema da distribuição.
Já que a atenção prestada ao problema da distribuição é tão alto, podemos então concluir que“a distribuição de renda deve ser colocada como centro do estudo econômico”? Esta formulação envolve uma questão de princípio. Qual posição ocupa a distribuição na vida econômica? Os estudos econômicos no Ocidente frequentemente concentram sua atenção na distribuição, sempre dando voltas entorno da relação entre eficiência e justiça. É como se uma vez que as políticas de distribuição forem ajustadas, os defeitos do capitalismo podem ser ajustados e sua saúde e vitalidade mantidas. Eles não estão dispostos a tocar na propriedade capitalista, nem estão dispostos em investigar a relação entre o proletariado e a burguesia no campo da produção. Isso está de acordo com os interesses fundamentais da burguesia. Porém, nós não podemos proceder dessa maneira.
De acordo com a visão Marxista, a distribuição não é o centro da economia, ela é parte da produção, decidida pela propriedade dos meios de produção, portanto está em uma posição subordinada. Vendo a partir da relação entre vários elos da produção (produção, troca, distribuição e consumo), é a produção que determina a distribuição. Apenas por meio da produção das coisas é possível realizar a distribuição. Sem produção não pode haver distribuição. É assim não apenas vendo a partir da forma dos objetos materiais, mas também a partir dos modos de distribuição. O modo de produção determina o modo de distribuição. Se os meios de produção estão nas mãos dos capitalistas, os trabalhadores nada possuem, então precisam vender sua força de trabalho no mercado, contratado e recebendo ordens do capitalista no processo de produção, então na distribuição o trabalhador obrigatoriamente receberá um salário (valor da força de trabalho), o capitalista obterá lucro (o que quer dizer que o capitalista terá livre posse da mais valia produzida pelo trabalhador, ou seja, os capitalistas dependem que o capital obtenha renda). Essa é uma necessidade objetiva, que não depende da vontade das pessoas. Mesmo que um método específico de distribuição mude, sua natureza não pode ser alterada. Marx afirmou: “A própria distribuição é um produto da produção, tanto no que se refere ao seu objeto (pois só se podem distribuir os resultados da produção) como no que se refere à sua forma (posto que o modo determinado de participação na produção determina as formas particulares da distribuição, isto é: a forma sob a qual se participa na distribuição). “ (Introdução à Contribuição Para a Crítica da Economia Política)
Por isso, ao pesquisarmos o problema da distribuição, primeiramente devemos pesquisar o modo de produção. Vendo a partir da essência das coisas, ao abandonar o modo de produção, não podemos ver de maneira clara o problema da distribuição. Diferentes sistemas sociais possuem diferentes modos de distribuição. Nós não podemos deixar de lado o modo de produção e abstratamente investigarmos a distribuição. A distribuição na sociedade capitalista é uma coisa, a produção na sociedade socialista é outra coisa; a distribuição sob a base da propriedade privada dos meios de produção é uma coisa (obviamente, a relação de distribuição sob diferentes formas de propriedade privada é também diferente), a distribuição sob a base da propriedade pública é outra coisa. Existe uma diferença de princípios entre os dois. Tentar encontrar em diferentes tipos de sociedade certas características comuns, tirando algumas leis gerais básicas (por exemplo, escravos, servos e trabalhadores assalariados recebem uma determinada quantidade de comida que permite que eles existam como escravos, servos e trabalhadores assalariados), bem como um número específico de fenômenos superficiais (por exemplo, tanto nas empresas públicas socialistas, quanto nas empresas privadas capitalistas existe pagamento de salario), não existem grandes diferenças. Vendo a partir da perspectiva das relações econômicas, a distribuição é um tipo de relação entre as pessoas e depende das relações de propriedade dos meios de produção. Qualquer produção material é efetuada em sociedade, é uma produção social. “A produção é sempre apropriação da natureza pelo indivíduo no seio e por intermédio de uma forma de sociedade determinada.” (Introdução) Os economistas burgueses frequentemente gostam de usar o indivíduo como ponto de partida de suas pesquisas, no entanto, histórias como a de Robinson Crusoe são apenas invenções de escritores e não podem existir na vida real.
No processo de produção, as pessoas inevitavelmente irão contrair inevitáveis relações que não dependem de suas vontades, que são relações de produção compatíveis com um determinado estágio do desenvolvimento da produtividade material. As relações econômicas são um sistema composto por múltiplas relações, entre elas a propriedade dos meios de produção é a base de todas as relações econômicas, ela é a relação decisiva, e aquele que possua esses meios de produção possuem a vantagem em todo o processo de produção, podendo dominar e explorar todos aqueles que perderam os meios de produção. As relações de distribuições são subordinadas e determinadas pelo regime de propriedade. Um determinado tipo de propriedade dos meios de produção terá um determinado tipo de relações de distribuição. A propriedade privada capitalista determina as relações de distribuição capitalista, que significa que os capitalistas obtêm lucros (a mais-valia criada pelos trabalhadores), os trabalhadores ganham um salário (valor da força de trabalho), formando uma relação de exploração capitalista; a propriedade pública socialista determina as relações de distribuição socialista, ou seja, a distribuição se dá de acordo com o trabalho, excluindo os meios de produção na participação da distribuição. Se você não trabalha você não recebe. Sem explicar o sistema de propriedade, não se pode explicar a questão da distribuição.
Lenin ao dar uma definição sobre as classes, especificamente apontou que as relações de distribuição são determinadas pelo regime de propriedade. Ele falou: “Chama-se classes a grandes grupos de pessoas que se diferenciam entre si pelo seu lugar num sistema de produção social historicamente determinado, pela sua relação (as mais das vezes fixada e formulada nas leis) com os meios de produção, pelo seu papel na organização social do trabalho e, consequentemente, pelo modo de obtenção e pelas dimensões da parte da riqueza social de que dispõem.” (Uma Grande Iniciativa, 1919) Ele não divide as classes principalmente de acordo com a reanda (no Ocidente os economistas e sociólogos frequentemente fazem isto), mas sim divide as classes de acordo com a propriedade dos meios de produção. Ele acredita que o “método e a quantidade” da distribuição é decidido pela propriedade. Estudar os problemas da política e da economia, investigando as relações de classe, vendo a propriedade como o fator decisivo ou tomar a distribuição salarial como centro? Esta é precisamente a maior diferença entre o Marxismo e a economia política e a sociologia Ocidental.
Marx e Engels prestaram uma atenção muito grande à questão da propriedade. Eles sempre tomaram a questão da propriedade como a questão fundamental da economia e como centro da investigação do desenvolvimento da sociedade humana. Engels ao resumir a história do desenvolvimento social da humanidade apontou que a revolução, ainda que seja um movimento político, ela em última instância busca alterar a propriedade dos meios de produção. Ele disse: “Até hoje, todas as revoluções têm sido contra um tipo de propriedade e em favor de outro; um tipo de propriedade não pode ser protegido sem que se lese outro. Na grande Revolução Francesa, a propriedade feudal foi sacrificada para que se salvasse a propriedade burguesa (…) desde a primeira até a última dessas chamadas revoluções políticas, todas elas se fizeram em defesa da propriedade, de um tipo de propriedade, e se realizaram por meio do confisco dos bens (dito de outro modo: do roubo) por outro tipo de propriedade.” (Engels, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. Capítulo V. Gênese do Estado Ateniense).
Por isso, Marx e Engels no “Manifesto do Partido Comunista” enfatizaram que a questão da propriedade era o “problema básico” do movimento comunista. “A revolução comunista é a mais completa ruptura com a propriedade tradicional”. Quando investigava e estudava os métodos para a libertação do proletariado e do povo trabalhador conquistar sua libertação, sempre colocaram a questão da propriedade em primeiro lugar. Eles enfatizaram: “Os comunistas podem resumir sua teoria em uma frase: eliminar a propriedade privada.”
A propriedade determina as relações de distribuição. Portanto, não podemos estudar a questão da distribuição por si mesma, mas sim devemos primeiro investigar a questão da propriedade dos meios de produção. Ao estudarmos a questão sob esta premissa, nós podemos ver a essência da distribuição. Ao discutirmos a questão da distribuição, sem falarmos da propriedade, iremos apenas descrever a aparência dos fenômenos, sem compreender sua essência. Mao Zedong aderiu e desenvolveu o princípio básico de Marx de que a produção determina a distribuição e o modo de produção determina o modo de distribuição. Quando ele estava lendo o Manual de Economia Política da União Soviética, ele propôs um importante princípio metodológico para investigar a distribuição: É necessário estudar o problema da distribuição a a partir da propriedade dos meios de produção, ou seja, estudar a distribuição dos bens de consumo em conexão com as condições de produção. Ele criticou o Manual por este ter deixado de lado a distribuição dos meios de produção na hora de discutir a distribuição dos bens de consumo, considerando a distribuição dos meios de consumo como a força motriz decisiva, apontando que esta era uma teoria equivocada que considera a distribuição como determinante. No que diz respeito a questão da distribuição, de acordo com Marx em “Crítica do Programa de Gotha“, a distribuição é primeiramente a distribuição das condições de produção, nas mãos de quem está os meios de produção, esta é questão decisiva; a distribuição dos meios de produção determina a distribuição dos bens de consumo; o Manual não explica a distribuição dos meios de produção, apenas fala da distribuição dos bens de consumo, considerando a distribuição dos bens consumo com força motriz decisiva, o que é uma revisão da visão correta de Marx exposta acima, um grande equivoco teórico.
Ele ainda afirmou que é errado explicar a superioridade do socialismo sem falar na propriedade pública, apenas falando em aumento de salários. O “ Manual” fala que a superioridade fundamental do socialismo em relação ao capitalismo é porque os salários se elevam constantemente, o que é algo bastante errado; os salários pertencem a distribuição dos bens de consumo. Um tipo determinado de distribuição dos meios de produção terá um tipo de distribuição de produtos e distribuição de bens de consumo; o primeiro determina o segundo. Tais conclusões de Mao Zedong são instrutivas para estudarmos o problema atual da distribuição.
Atualmente, nos estudos sobre o problema da distribuição, há uma tendência entre os círculos econômicos que não fala sobre a questão da propriedade e apenas fala sobre a distribuição. Esta tendência se assemelha ao lassalianismo criticado por Marx: circular entorno da distribuição, parecendo que o objetivo de luta dos socialistas é obter uma “fruto integral do trabalho”, o que Marx critica como socialismo vulgar. Na discussão sobre a questão da distribuição, a tendência de falar sobre a propriedade, mas apenas falar sobre políticas específicas de distribuição e a tomada de algumas medidas, pode ser vista em todos os lugares na China. Por exemplo, ao falarem sobre a questão da diferença entre ricos e pobres, sem analisar suas raízes, muitos acadêmicos que estudam tal problema passam a impressão que, desde que as políticas de distribuição sejam ajustadas, este problema pode ser eliminado. O mais importante em seus artigos é a questão da distribuição. Na fase primária do socialismo, devido o baixo nível de desenvolvimento das forças produtivas, a economia privada joga um papel positivo no desenvolvimento da economia nacional. Nós devemos implementar o sistema econômico básico que toma a propriedade pública como corpo principal, com múltiplas formas de propriedade se desenvolvendo conjuntamente. Portanto, nós ainda não podemos eliminar a pobreza definitivamente. A diferença entre ricos e pobres pode ser apenas limitada até certo nível através do desenvolvimento da propriedade pública, de forma que isto não se espalhe por toda a sociedade. O impacto social da diferença entre ricos e pobres pode ser mitigado através de medidas apropriadas na área da redistribuição.
Outro exemplo é o de quando alguns economistas falam sobre a prosperidade comum, eles não mencionam a propriedade pública, como sob a base da propriedade privada, é possível conquistar um melhor bem-estar e assim conquistar a prosperidade comum. Eles consideram a Suécia como um modelo de prosperidade comum, sendo esta uma das razões pela qual algumas pessoas advogam seguir o caminho do socialismo democrático. Eles consideram a prosperidade comum meramente como a melhoria de vida de todos. Não consideram que a prosperidade comum é um tipo de relação de distribuição, ou seja, ela é distribuição realizada de acordo com um padrão unificado (em vez de ser alguma pessoa obtendo renda apoiando-se no capital ou uma pessoa obtendo sua renda por meio do trabalho). Portanto, com o desenvolvimento da produtividade, o padrão de vida pode ser melhorado de maneira geral. Isto só pode ser conquistado baixo a propriedade pública. A propriedade privada leva apenas a polarização e nunca conquistará a prosperidade comum. Alguns economistas falam em prosperidade comum enquanto advogam a privatização. Não seria exatamente o oposto?
De acordo com o Marxismo, as relações de distribuição depende do regime de propriedade, portanto ao falarmos da distribuição, devemos colocar a regime de propriedade em primeiro lugar. Em seu livro “O Capital do Século 21”, Piketty usa vários dados estatísticos para provar que nos países capitalistas a taxa de crescimento do retorno do capital é maior que a do PIB, então a diferença entre ricos e pobres está se aprofundando, e a polarização se intensificando. Ele critica fortemente a teoria da curva U invertida de Kuznets, que é uma defesa aberta do capitalismo (a expansão da diferença entre ricos e pobres faz parte do estágio inicial do desenvolvimento e com o desenvolvimento das forças produtivas esta diferença irá naturalmente diminuir), o que ajuda a entender a realidade do capitalismo atual. Este é um mérito que devemos reconhecer. No entanto, o seu grande defeito (um defeito comum entre economistas burgueses) é que ele em momento algum menciona a propriedade privada capitalista, e não a vê como a causa do problema. Parece que somente ajustando as políticas de distribuição, tais como a coleta de impostos sobre as heranças, imposto progressivo sobre a renda, etc., isto pode evitar o aumento da diferença entre ricos e pobres e eliminar o fenômeno da polarização. Ele fica apenas na aparência do fenômeno, sem revelar a essência do problema. Vendo da perspectiva da revelação da essência do sistema capitalista e da exposição da tendência do desenvolvimento humano, Piketty não pode ser comparado com Marx. Um é um economista burguês que apenas quer encontrar um caminho dentro do capitalismo; o outro é um revolucionário que advoga a derrubada do sistema capitalista e a sua substituição pelo sistema socialista. Deixar de lado a propriedade privada capitalista e tratar a distribuição como o centro da pesquisa econômica é uma manifestação de que a teoria econômica de Piketty é economia burguesa. Portanto, “O Capital no Século XXI” não se compara a “O Capital” em termos de profundidade teórica.
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2020.07.20 21:35 Braconomist Problemas que eu vejo na esquerda e na direita brasileira e porque ideologia política é um inferno.

Boa tarde pessoal, só queria deixar uma exposição pessoal minha e levar à cabo uma discussão sobre alguns problemas que eu vejo quando se discute política no Brasil.
Antes de iniciar o assunto queria que conhecessem mais sobre o autor que a vocês se dirige:
Faço graduação em Ciências Econômicas, no momento tenho 20 anos, porém estudo esse assunto desde os 14 anos. Já tive os meus tempos de libertário, me apaixonando por Milton Friedman e Mises. Hoje, com bastante estudo, não sou mais defensor ferrenho dessa ideologia. Também já cheguei a me enamorar com alguns ideais comunistas, tentando tratar da maneira mais imparcial qualquer tipo de informação e discussão sobre os regimes atuais e do passado porque existe uma enorme quantidade de propaganda desde quem é favor desses sistemas e desde quem é contra. Atualmente eu me considero Anarco-Sindicalista, declaro-me assim, para esses fins de discussão, de o porque eu acho que, idealismo político, até mesmo o meu próprio, é uma desgraça e um desserviço a um progresso social estável.
Tendo em vista essa introdução pessoal, veja aí uma exposição de alguns problemas que eu encontro várias vezes no debate político no Brasil. Vamos começar criticando a direita aqui, mas relaxem que também irei fazer várias críticas ao pessoal de esquerda (caso prefira, pode pular essa parte e ir direto para as críticas de esquerda e depois voltem aqui e leiam as de direita).
Principais problemas que eu vejo em pessoas de direita é:
Não entendem muitas vezes a realidade da maioria dos trabalhadores no Brasil. Simplesmente acham que caso retirem os direitos trabalhistas, com o argumento de reduzir custos para o empresário e empregador, o trabalhador irá tirar alguma vantagem disso. Isso é objetivamente errado apenas pelo fato de que hoje, infelizmente, o trabalhador no Brasil, em sua maioria, não consegue negociar a sua mão-de-obra, apenas aceita o salário que lhe é dado e pronto.
Trabalhador no Brasil é pobre, não tem dinheiro para lazer porque todo o seu salário vai para moradia e alimentação, o que significa que hoje a maioria da população vive uma condição de subsistência, dependem do seu emprego para ter coisas mínimas como comida e casa para morar. Isso cria uma relação de dependência que impossibilita o trabalhador de negociar e lutar por salários melhores por si próprio, por isso o argumento de que "o funcionário irá negociar com o patrão livremente" é apenas um atestado de que a pessoa não conhece as atuais relações trabalhistas no Brasil.
Privatização de estatais e de serviços com importante função social. Muitos não reconhecem que algumas estatais o objetivo não é o lucro e sim a função social. Não entendem como funciona demanda inelástica e acham que o setor privado é objetivamente melhor para resolver qualquer problema fora segurança pública. Quer ver um exemplo de alguns tipos de serviços onde a privatização só piora? Saneamento de água. É um problema crônico que afeta o Brasil há décadas e acham que o fracasso do estado em lidar com isso de maneira eficaz é prova de que empresas privadas lidariam melhor com a situação. A realidade é que o saneamento de água é algo onde a demanda é extremamente inelástica, o que significa que o consumidor é apenas tomador de preço, ficando às graças do ofertante do serviço, criando outra relação de dependência. Outro ponto para o saneamento de água é que o setor privado só irá atender áreas onde há a possibilidade de realização de lucro, o que leva a dizer que muitas áreas e casas no Brasil ficariam ao relento porque não há sentido econômico expandir o saneamento para essas áreas, algo que não é um problema caso o principal objetivo dessa atividade seja a função social e não o lucro.
Em ponto ainda com serviços com importante função social, muitos de direita não entendem algo que eu chamo de "multiplicadores econômicos", cada real investido nessa área, o retorno social é bem maior (não sei se existe termo técnico para esse tipo de coisa). Alguns setores estratégicos como energia elétrica, distribuição de água, educação e saúde são exemplos de multiplicadores econômicos. Cada real investido nesses setores, o retorno para sociedade é bem maior. O cidadão brasileiro só consegue exercer a sua cidadania plena caso tenha acesso de qualidade a esses serviços. Essa questão também está relacionada ao fato da emancipação do trabalhador, caso tivesse acesso pleno a essas coisas e garantia de sua continuação, poderiam lutar melhor pelo valor da sua mão de obra.
As pessoas de direita tem que aceitar que falhas de mercado existem, e há certos setores onde o benefício social leva a uma maior liberdade econômica e um maior empreendedorismo caso sejam garantidos para todos.
Por fim, libertários e anarco-capitalistas simplesmente não entendem falhas de mercado. Já fui um e posso dizer com muita propriedade que eles tem uma fé suprema de que a única solução para qualquer coisa é um mercado e fecham os olhos para qualquer situação onde a existência de um mercado em determinado setor causa mais malefícios até mesmo para outros setores.
Principais problemas que eu vejo em pessoas de esquerda é:
Investir no Brasil, seja para investidor interno e externo é uma desgraça. A burocracia no Brasil para abrir uma empresa, principalmente se você for microempreendedor, é desgastante e desmotivante para qualquer pessoa. Muitos de esquerda simplesmente não reconhecem isso porque tomam como exemplo apenas empresas grandes e solidificadas. Alguns demonizam qualquer empreendedor, acham que o cara é o diabo por ter capital e abrir empresa em qualquer lugar. E realmente, pessoal ser trabalhador no Brasil é horrível, mas se a gente não mudar esse inferno que é empreender no Brasil, essas empresas que já estão consolidadas apenas se tornarão mais consolidadas, piorando ainda mais a situação do trabalhador brasileiro uma vez que elas terão maior controle sobre a demanda de mão de obra. Isso realmente cria uma oneração para qualquer empreendedor e reduz a criação de empresas no Brasil, empresas essas que poderiam estar gerando produção, através da produção conjunta do trabalhador e da tecnologia investida pelo capital do empresário e tirar a gente desse lamaçal que estamos desde 2013.
Há um sério problema no funcionalismo público brasileiro, é crônico a má administração do orçamento público no Brasil e o pessoal de esquerda simplesmente não aceita isso. Defendem com unhas dentes qualquer serviço público, não aceitam críticas de empresas públicas por princípios do serviço social que a empresa oferta. Nem mesmo a da Caixa Econômica Federal, que deve ser a empresa pública mais ineficaz em seu serviço (O que não significa que ela deve ser privatizada).
Outro problema que eu vejo é o idealismo político, que também afeta muito pessoal de direita (vide os apoiadores do Bolsonaro), mas acho que é um problema maior na esquerda que já existia muito mesmo antes do Bolsonaro se tornar alguém relevante na política. Acham o capitalismo um sistema desgraçado, odeiam qualquer tipo de capital, até mesmo do pequeno empresário. E não obstante de que seja um sistema sócio-econômico com vários problemas que foram originados por ele, tivemos muitos benefícios também gerados pelo capitalismo e a galera simplesmente não aceita isso porque causa de doutrina marxista mesmo. Fazem um modelo na cabeça deles que o mundo tinha que ser dessa ou daquela forma e não se importam com o meio para atingi-lo. Não vim aqui demonizar Karl Marx (longe disso, é meu autor de Ciências Econômicas favorito), mas tem muita gente da esquerda que trata as palavras do homem como gospel evangélico e xingam de porco capitalista e fascista qualquer um que discorda dessa ideologia, criando aquele problema do "menino e o lobo" que quando realmente surge um porco capitalista ou um fascista, as palavras já perderam o sentido e ninguém acredita mais. Isso causa um entrave político gigante. Sinceramente, esse tipo de coisa só fortalece discurso político do outro lado, inclusive foi uma das pautas utilizadas por Bolsonaro em sua eleição.
Conclusão:
Por fim, queria aqui declarar que idealismo politico é uma desgraça. As pessoas adotam um sistema sócio-econômico como seu favorito e rejeitam qualquer tipo de diálogo com o outro lado. Algo que vem criando bastante polarização política no Brasil e É UM PROBLEMA CAUSADO PELOS DOIS LADOS.
Infelizmente, ser de direita agora muitas vezes é estar associado à imagem do Bolsonaro, que é, como um ser humano, um fascista (o governo em si não, mas ele como pessoa é).
É óbvio que eu deixei vários aspectos de argumentos utilizados pelos dois lados de fora uma vez que o post já é enorme e dá pra escrever um livro sobre esse assunto de polarização política por causa de idealismo. Por isso a discussão nos comentários é bem-vinda, aceito de bom-grado qualquer crítica honesta as minhas colocações e venho aqui tentar iniciar um processo de "despolarização".
Reconheço que o governo do Bolsonaro foi e está sendo um fracasso em vários aspectos, os maiores problemas do Brasil como a desigualdade social e de renda simplesmente deixaram de ser discutidos nesse governo. Os problemas urgentes que o Brasil tem em vários setores da economia não são levados em consideração desse governo porque o próprio ministro da economia é um banqueiro Chicago Boy que quer fazer as coisas baseadas em princípio e não reconhece a realidade da maioria dos brasileiros. Colocar banqueiro para ser ministro da economia é o mesmo que colocar a raposa para cuidar do galinheiro.
Que tal se olharmos o Brasil de uma maneira objetiva e a gente tentar trabalhar para melhorar ele para todos?
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2020.07.18 13:16 ThorDansLaCroix Liberdade de expressão, opinião pública e conservadorismo.

Muitos movimentos políticos estão surgindo e ganhando atenção, reclamando do que chamam de corrupção dos valores ocidentais, como o cristianismo, o patriarcado, os valores da família, bem como a corrupção do pensamento clássico e moderno, como tambem as tradições artísticas. Eles pedem o direito de liberdade de expressão por sentirem que suas vozes e opiniões são reprimidas pelas políticas dominantes, instituições acadêmicas e mídia, que acusam de serem dominadas pela esquerda, o que interpretam como a imposição dos valores socialistas na sociedade, que costumam chamar de "marxismo pós-modernista". Para eles, tudo faz parte da nova estratégia da esquerda para conquistar a sociedade ocidental, em destruindo-a.
Eles declaram ser racionalistas por usar fatos, lógica e ciência contra as paixões e desejos irracionais de esquerda, e contra a alienação da esquerda ao eles acreditam ser contra a liberdade. Eles são o Think Tank, realizando pesquisas e advocacia em tópicos como política social, estratégia política, economia, forças armadas, tecnologia e cultura com forte orientação ideológica. A maioria dos think tanks são organizações não-governamentais, mas algumas são agências semi-autônomas no governo ou estão associadas a partidos políticos específicos, especialmente milionários e bilionários ou empresas.
Por terem uma forte oposição às principais instituições e partidos e instituições politicas, instituições acadêmicas e políticas sociais, eles atraem muitas pessoas que desejam fortemente lutar contra o status quo, por se sentirem psicologicamente e às vezes socialmente excluídas.
Embora afirmem defender o empirismo e o conhecimento científico, eles se contradizem sendo racionalistas na prática. Eles alegam buscar e apoiar o conhecimento quando, na verdade, são conservadores que defendem a certeza absolutista. A campanha mais forte é pela liberdade de expressão, pela liberdade de opinião, quando na verdade eles são extremamente radicais ao eliminar as opiniões de seus oponentes.
Quando as pessoas têm a liberdade de opinião, e liberdade para expressá-la, elas inevitavelmente formam opiniões diferentes e divergentes. Somente quando as pessoas têm uma paixão comum, suas opiniões, se poderíamos chamar de opinião, serão as mesmas [1]. A verdade é que não é possível formar opinião quando todas as opiniões se tornam iguais; A chamada opinião pública. Ninguém é capaz de formar sua própria opinião sem o benefício da multidão de opiniões de outras pessoas. A opinião pública põe em risco a opinião individual. Por outro lado, a multidão de opiniões é a única coisa que quebra tiranos e tiranias. É por isso que os fundadores dos Estados Unidos equiparam a opinião pública à tirania. A democracia era para eles uma nova forma de nepotismo, então eles estabeleceram uma república no lugar. Foi contra a democracia que os senadores foram originalmente estabelecidos nas repúblicas clássicas, cujo objetivo era proteger a sociedade contra a confusão da multidão. Enquanto o interesse público, na política, pertence ao interesse de um grupo, as opiniões, pelo contrário, nunca pertencem a um grupo mas exclusivamente a indivíduos. Multidão nunca será capaz de formar uma opinião [2].
As opiniões aumentam sempre que as pessoas se comunicam transquilamente e livremente umas com as outras com a segurança de tornar públicas suas opiniões. Mas “a razão do homem, como o próprio homem, é tímida e cautelosa quando deixada sozinha, e adquire firmeza e confiança quando proporcional ao número ao qual está associada” [3]. Como as opiniões são formadas e testemunham durante a troca contra a opinião de outras pessoas, suas diferenças podem ser mediadas apenas através de um corpo de homens escolhidos para esse fim; Eles são originalmente os senadores, o meio pelo qual toda a opinião pública deve passar. Sem essa mediação, para transmiti-los, eles se cristalizaram em uma variedade de sentimentos de massa conflitantes sob a pressão dos anseios, esperando por um "homem forte" para moldá-los em uma "opinião pública" unânime, matando entao todas as opiniões. Ao contrário da razão e das opiniões humanas, o poder humano não é apenas cauteloso e tímido quando deixado sozinho, mas completamente inexistente; Nenhum rei e tiranos têm poder sem que as pessoas os obedeçam. Todo apoio na política é obediência a uma opinião pública; assim como também revoluções.
Os demagogos estão sempre falando sobre liberdade individual, opinião livre e liberdade de expressão contra o que eles acusam de ser a tirania que bloqueia a liberdade individual, mas sua luta exige poder humano, o apoio de uma multidão que carrega uma opinião pública e nunca opiniões individuais. Embora afirmem lutar pela liberdade, é mais provável que estejam lutando pela tirania de um homem ou instituições fortes, o que garantirá a permanência absoluta e imponente de seus valores, contra a ameaça de opiniões livres. Eles alegam apoiar debates e opiniões livres quando lutam contra isso com a dialética erística, como uma tentativa de confundir e cansar mentalmente seus oponentes e encerrar qualquer debate e diálogo reais e, assim, matando a arena política.
Seu forte conservadorismo absolutista reflete uma busca ansiosa interna de estabelecimento de um porto seguro, que eles sentem falta em si. O que eles afirmam lutar - o socialismo, o marxismo pós-modernista, a ideologia da igualdade, etc - parece ser uma projeção de sua agonia interna contra as mudanças na sociedade, por se sentirem à parte, não pertencerem, deixados para trás, à procura de algo que represente permanência e eternidade, que eles racionalizam como sendo as tradições sociais clássicas e modernistas do patriarcado, estado mínimo, negócios capitalistas com sua cultura de chefes e empregados e a chamada democracia.
É interessante notar que grande parte de seus membros são pessoas que se sentem emocionalmente isoladas, especialmente homens, culpando mulheres e movimentos de mulheres por serem contra eles, associando mulheres ao caos social contra a tradição patriarcal [4]. Pensadores conservadores do Think Tank racionalizam e interpreta mal as obras clássicas da era matriarcal da Grécia e a Bíblia, que, ao contrário de suas interpretações racionalistas, denuncia a tentativa dos homens de controlar a natureza como fonte do caos. As mudanças são um fenômeno natural para a simbiose da natureza e da vida, e a tentativa de impedir mudancas por algo permanente é o que cria o caos. É por isso que Thomas Jefferson era contra uma constituição absolutista, permanente e uma república eterna. Ele achava que as revoluções eram necessárias e importantes para a liberdade. A constituição permanente e imutável era, para ele, um poder tirânico que proíbe a geração futura de ter liberdade de opinião e recriar uma fundação de acordo com as mudanças que elas experimentam na sociedade, assim como foi para a geração dos fundadores Americanos [5].
O estabelecimento absolutista e eterno de uma ordem social, contra o que os atuais conservadores condenam em criar o caos na sociedade, reflete um vazio emocional que eles desejam preencher. Muitos desses homens reclamam que não cresceram com uma figura paterna, acreditando ser a causa de sua insegurança emocional em relação à vida, racionalizando o problema como a falta de uma ordem social patriarcal que separa as famílias, segundo eles. Parece que eles nunca aprenderam que a maioria das crianças, desde a modernidade, cresceu sem uma figura paterna, mesmo, e principalmente, durante os tempos mais conservadores da tradição patriarcal e familiar, porque o pai teve que passar o dia todo fora de casa para trabalhar e sustentar à família sozinho, que eram mais do que apenas oito horas de trabalho por dia e que normalmente incluíam os fins de semana. O que deu às crianças confiança emocional foi a presença e o amor constantes da mãe em casa. Essa expressão constante de amor durante os afazeres cotidianos e o cuidado, o cuidado de suas crias e o relacionamento íntimo - o que não importa se vier da mãe, do pai ou dos pais adotivos - criam na criança um porto emocional seguro de auto confiança, o amor incondicional que receberam e perceberam, o que levarão pelo resto de suas vidas [6]. Sem ter um porto seguro em si mesmo, ao qual a pessoa sempre possa retornar quando se sentir incerta sobre si mesma, o indivíduo se torna inseguro por não acreditar em o amor incondicional por si mesma seja possível. Eles se sentirão emocionalmente indigentes, tentando encontrar um porto seguro nos outros, através de seu relacionamento romântico, fraterno e até político, como no líder que promete a ordem social absolutista, de uma família tradicional e de tradições patriarcais, com a esperança de que isso garanta a eles uma oportunidade melhor de encontrar um porto onde possam atracar e se sentir seguros da incerteza do mar da realidade que está em constante movimento.
As relações são utilitárias, mas as relações saudáveis ​​são as relações em simbiose, onde o indivíduo trabalha e age na vida por confiar que, onde quer que eles naveguem, eles terão um porto seguro em si mesmos; Porque toda tomada de decisão e ação é uma tomada de risco na imprevisibilidade da vida. Essa confiança e dedicação em suas atitudes e trabalho na vida geram experiências e habilidades que firmam uma confiança mais forte em seu poder de atuação individual, que se reflete em seu trabalho e atitude ao longo da vida como provedor de confiabilidade, moldando sua personalidade e identidade como um porto atraente para os outros. Sem essa confiança no “eu”, o que resta é ansiedade e frustração, por se sentir incapaz de desenvolver um porto atraente por meio de suas ações individuais, que forma sua auto narrativa que é formadora da identidade. A fim de proteger o “eu” do ódio a si próprio, o indivíduo tenderá a projetá tal odio para o mundo externo, em algo que escolhera como simbolismo do mau, de seu caos interno, para ser combatido e destruído como simbolismo da destruição de seus conflitos internos. Muitas pessoas, por outro lado, buscam ajuda profissional, mas não buscam realmente entender e conhecer a si mesmas. Elas buscam certezas para se protegerem de suas inseguranças. O que eles querem é se encaixar na sociedade, e a ajuda mais popular que eles encontrarão é focada nisso, não em realmente melhorar a si mesmas através da compreensão, mas sim de fingir e reprimir seus sentimentos. Muitos dos livros e gurus de auto-ajuda são altamente ideológicos, apresentando às pessoas mitologia sobre patriarcado, “marxismo pós-modernista” e todo tipo de desculpas políticas para incitar a projeção de ódio e, portanto, a opinião pública em apoio à sua agenda ideológica e lider.
É por isso que a família é importante, a comunidade é importante, as instituições são importantes, todas elas são um porto seguro para nós, mas isso não significa necessariamente que elas nunca devem mudar. Eles precisam mudar para acompanhar a simbiose da realidade que está em constante movimento. Estamos sempre à procura de um porto seguro. Quando não pudermos encontrar em nós mesmos, em nosso próprio mundo, tentaremos encontrar no mundo externo e, assim, tentar forçar algo que represente artificialmente tal porto, acreditando que, ao introduzir um suposto absolutismo e permanência superaremos a insegurança em nós, a incerteza nos riscos de agir na vida, por acreditar ter superado a imprevisibilidade de nossas decisões após a flecha de nossas ações são lançadas. Mas essa permanência absolutista só pode ser estabelecida com o apoio tirânico de uma opinião pública, moldada pelo poder de um homem forte; Um herói ou a figura paterna, que cristaliza os sentimentos de massa conflitantes sob a pressão dos anseios, e sobre os quais as narrativas clássicas dos heróis gregos nos alertam contra [7].
Sem perceber, esses conservadores são, antes de mais nada, fortemente romancistas.

Fonte: http://www.marciofaustino.com/blog---portugues/liberdade-de-expressao-opiniao-publica-e-conservadorismo
​[1] J. E. Cooker. The Federalist (1787). New York: Wesleyan University Press (1983)
[2] ARENDT, H. On Revolution. London: Faber & Faber, 2016.
[4] PETERSON. J. Maps of Meaning: The Architecture of Belief. Routledge: first edition (1999)
[5] T. JEFFERSON; S. K.l. PADOVER. The Completly Jefferson, New York: Distributed by Duell, Sloan & Pearce, Inc. (1943)
[6] WINNICOTT, D.W. The Child, The Family, and The Outside World. Cambridge: Perseus Publishing, 1964
[7] RANK, O. Psychology and The Soul. Mansfield Center, CT : Martino Publishing, 2011.
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2020.07.18 13:14 ThorDansLaCroix Liberdade de expressão, opinião pública e conservadorismo.

Muitos movimentos políticos estão surgindo e ganhando atenção, reclamando do que chamam de corrupção dos valores ocidentais, como o cristianismo, o patriarcado, os valores da família, bem como a corrupção do pensamento clássico e moderno, como tambem as tradições artísticas. Eles pedem o direito de liberdade de expressão por sentirem que suas vozes e opiniões são reprimidas pelas políticas dominantes, instituições acadêmicas e mídia, que acusam de serem dominadas pela esquerda, o que interpretam como a imposição dos valores socialistas na sociedade, que costumam chamar de "marxismo pós-modernista". Para eles, tudo faz parte da nova estratégia da esquerda para conquistar a sociedade ocidental, em destruindo-a.
Eles declaram ser racionalistas por usar fatos, lógica e ciência contra as paixões e desejos irracionais de esquerda, e contra a alienação da esquerda ao eles acreditam ser contra a liberdade. Eles são o Think Tank, realizando pesquisas e advocacia em tópicos como política social, estratégia política, economia, forças armadas, tecnologia e cultura com forte orientação ideológica. A maioria dos think tanks são organizações não-governamentais, mas algumas são agências semi-autônomas no governo ou estão associadas a partidos políticos específicos, especialmente milionários e bilionários ou empresas.
Por terem uma forte oposição às principais instituições e partidos e instituições politicas, instituições acadêmicas e políticas sociais, eles atraem muitas pessoas que desejam fortemente lutar contra o status quo, por se sentirem psicologicamente e às vezes socialmente excluídas.
Embora afirmem defender o empirismo e o conhecimento científico, eles se contradizem sendo racionalistas na prática. Eles alegam buscar e apoiar o conhecimento quando, na verdade, são conservadores que defendem a certeza absolutista. A campanha mais forte é pela liberdade de expressão, pela liberdade de opinião, quando na verdade eles são extremamente radicais ao eliminar as opiniões de seus oponentes.
Quando as pessoas têm a liberdade de opinião, e liberdade para expressá-la, elas inevitavelmente formam opiniões diferentes e divergentes. Somente quando as pessoas têm uma paixão comum, suas opiniões, se poderíamos chamar de opinião, serão as mesmas [1]. A verdade é que não é possível formar opinião quando todas as opiniões se tornam iguais; A chamada opinião pública. Ninguém é capaz de formar sua própria opinião sem o benefício da multidão de opiniões de outras pessoas. A opinião pública põe em risco a opinião individual. Por outro lado, a multidão de opiniões é a única coisa que quebra tiranos e tiranias. É por isso que os fundadores dos Estados Unidos equiparam a opinião pública à tirania. A democracia era para eles uma nova forma de nepotismo, então eles estabeleceram uma república no lugar. Foi contra a democracia que os senadores foram originalmente estabelecidos nas repúblicas clássicas, cujo objetivo era proteger a sociedade contra a confusão da multidão. Enquanto o interesse público, na política, pertence ao interesse de um grupo, as opiniões, pelo contrário, nunca pertencem a um grupo mas exclusivamente a indivíduos. Multidão nunca será capaz de formar uma opinião [2].
As opiniões aumentam sempre que as pessoas se comunicam transquilamente e livremente umas com as outras com a segurança de tornar públicas suas opiniões. Mas “a razão do homem, como o próprio homem, é tímida e cautelosa quando deixada sozinha, e adquire firmeza e confiança quando proporcional ao número ao qual está associada” [3]. Como as opiniões são formadas e testemunham durante a troca contra a opinião de outras pessoas, suas diferenças podem ser mediadas apenas através de um corpo de homens escolhidos para esse fim; Eles são originalmente os senadores, o meio pelo qual toda a opinião pública deve passar. Sem essa mediação, para transmiti-los, eles se cristalizaram em uma variedade de sentimentos de massa conflitantes sob a pressão dos anseios, esperando por um "homem forte" para moldá-los em uma "opinião pública" unânime, matando entao todas as opiniões. Ao contrário da razão e das opiniões humanas, o poder humano não é apenas cauteloso e tímido quando deixado sozinho, mas completamente inexistente; Nenhum rei e tiranos têm poder sem que as pessoas os obedeçam. Todo apoio na política é obediência a uma opinião pública; assim como também revoluções.
Os demagogos estão sempre falando sobre liberdade individual, opinião livre e liberdade de expressão contra o que eles acusam de ser a tirania que bloqueia a liberdade individual, mas sua luta exige poder humano, o apoio de uma multidão que carrega uma opinião pública e nunca opiniões individuais. Embora afirmem lutar pela liberdade, é mais provável que estejam lutando pela tirania de um homem ou instituições fortes, o que garantirá a permanência absoluta e imponente de seus valores, contra a ameaça de opiniões livres. Eles alegam apoiar debates e opiniões livres quando lutam contra isso com a dialética erística, como uma tentativa de confundir e cansar mentalmente seus oponentes e encerrar qualquer debate e diálogo reais e, assim, matando a arena política.
Seu forte conservadorismo absolutista reflete uma busca ansiosa interna de estabelecimento de um porto seguro, que eles sentem falta em si. O que eles afirmam lutar - o socialismo, o marxismo pós-modernista, a ideologia da igualdade, etc - parece ser uma projeção de sua agonia interna contra as mudanças na sociedade, por se sentirem à parte, não pertencerem, deixados para trás, à procura de algo que represente permanência e eternidade, que eles racionalizam como sendo as tradições sociais clássicas e modernistas do patriarcado, estado mínimo, negócios capitalistas com sua cultura de chefes e empregados e a chamada democracia.
É interessante notar que grande parte de seus membros são pessoas que se sentem emocionalmente isoladas, especialmente homens, culpando mulheres e movimentos de mulheres por serem contra eles, associando mulheres ao caos social contra a tradição patriarcal [4]. Pensadores conservadores do Think Tank racionalizam e interpreta mal as obras clássicas da era matriarcal da Grécia e a Bíblia, que, ao contrário de suas interpretações racionalistas, denuncia a tentativa dos homens de controlar a natureza como fonte do caos. As mudanças são um fenômeno natural para a simbiose da natureza e da vida, e a tentativa de impedir mudancas por algo permanente é o que cria o caos. É por isso que Thomas Jefferson era contra uma constituição absolutista, permanente e uma república eterna. Ele achava que as revoluções eram necessárias e importantes para a liberdade. A constituição permanente e imutável era, para ele, um poder tirânico que proíbe a geração futura de ter liberdade de opinião e recriar uma fundação de acordo com as mudanças que elas experimentam na sociedade, assim como foi para a geração dos fundadores Americanos [5].
O estabelecimento absolutista e eterno de uma ordem social, contra o que os atuais conservadores condenam em criar o caos na sociedade, reflete um vazio emocional que eles desejam preencher. Muitos desses homens reclamam que não cresceram com uma figura paterna, acreditando ser a causa de sua insegurança emocional em relação à vida, racionalizando o problema como a falta de uma ordem social patriarcal que separa as famílias, segundo eles. Parece que eles nunca aprenderam que a maioria das crianças, desde a modernidade, cresceu sem uma figura paterna, mesmo, e principalmente, durante os tempos mais conservadores da tradição patriarcal e familiar, porque o pai teve que passar o dia todo fora de casa para trabalhar e sustentar à família sozinho, que eram mais do que apenas oito horas de trabalho por dia e que normalmente incluíam os fins de semana. O que deu às crianças confiança emocional foi a presença e o amor constantes da mãe em casa. Essa expressão constante de amor durante os afazeres cotidianos e o cuidado, o cuidado de suas crias e o relacionamento íntimo - o que não importa se vier da mãe, do pai ou dos pais adotivos - criam na criança um porto emocional seguro de auto confiança, o amor incondicional que receberam e perceberam, o que levarão pelo resto de suas vidas [6]. Sem ter um porto seguro em si mesmo, ao qual a pessoa sempre possa retornar quando se sentir incerta sobre si mesma, o indivíduo se torna inseguro por não acreditar em o amor incondicional por si mesma seja possível. Eles se sentirão emocionalmente indigentes, tentando encontrar um porto seguro nos outros, através de seu relacionamento romântico, fraterno e até político, como no líder que promete a ordem social absolutista, de uma família tradicional e de tradições patriarcais, com a esperança de que isso garanta a eles uma oportunidade melhor de encontrar um porto onde possam atracar e se sentir seguros da incerteza do mar da realidade que está em constante movimento.
As relações são utilitárias, mas as relações saudáveis ​​são as relações em simbiose, onde o indivíduo trabalha e age na vida por confiar que, onde quer que eles naveguem, eles terão um porto seguro em si mesmos; Porque toda tomada de decisão e ação é uma tomada de risco na imprevisibilidade da vida. Essa confiança e dedicação em suas atitudes e trabalho na vida geram experiências e habilidades que firmam uma confiança mais forte em seu poder de atuação individual, que se reflete em seu trabalho e atitude ao longo da vida como provedor de confiabilidade, moldando sua personalidade e identidade como um porto atraente para os outros. Sem essa confiança no “eu”, o que resta é ansiedade e frustração, por se sentir incapaz de desenvolver um porto atraente por meio de suas ações individuais, que forma sua auto narrativa que é formadora da identidade. A fim de proteger o “eu” do ódio a si próprio, o indivíduo tenderá a projetá tal odio para o mundo externo, em algo que escolhera como simbolismo do mau, de seu caos interno, para ser combatido e destruído como simbolismo da destruição de seus conflitos internos. Muitas pessoas, por outro lado, buscam ajuda profissional, mas não buscam realmente entender e conhecer a si mesmas. Elas buscam certezas para se protegerem de suas inseguranças. O que eles querem é se encaixar na sociedade, e a ajuda mais popular que eles encontrarão é focada nisso, não em realmente melhorar a si mesmas através da compreensão, mas sim de fingir e reprimir seus sentimentos. Muitos dos livros e gurus de auto-ajuda são altamente ideológicos, apresentando às pessoas mitologia sobre patriarcado, “marxismo pós-modernista” e todo tipo de desculpas políticas para incitar a projeção de ódio e, portanto, a opinião pública em apoio à sua agenda ideológica e lider.
É por isso que a família é importante, a comunidade é importante, as instituições são importantes, todas elas são um porto seguro para nós, mas isso não significa necessariamente que elas nunca devem mudar. Eles precisam mudar para acompanhar a simbiose da realidade que está em constante movimento. Estamos sempre à procura de um porto seguro. Quando não pudermos encontrar em nós mesmos, em nosso próprio mundo, tentaremos encontrar no mundo externo e, assim, tentar forçar algo que represente artificialmente tal porto, acreditando que, ao introduzir um suposto absolutismo e permanência superaremos a insegurança em nós, a incerteza nos riscos de agir na vida, por acreditar ter superado a imprevisibilidade de nossas decisões após a flecha de nossas ações são lançadas. Mas essa permanência absolutista só pode ser estabelecida com o apoio tirânico de uma opinião pública, moldada pelo poder de um homem forte; Um herói ou a figura paterna, que cristaliza os sentimentos de massa conflitantes sob a pressão dos anseios, e sobre os quais as narrativas clássicas dos heróis gregos nos alertam contra [7].
Sem perceber, esses conservadores são, antes de mais nada, fortemente romancistas.

Fonte: http://www.marciofaustino.com/blog---portugues/liberdade-de-expressao-opiniao-publica-e-conservadorismo
​[1] J. E. Cooker. The Federalist (1787). New York: Wesleyan University Press (1983)
[2] ARENDT, H. On Revolution. London: Faber & Faber, 2016.
[4] PETERSON. J. Maps of Meaning: The Architecture of Belief. Routledge: first edition (1999)
[5] T. JEFFERSON; S. K.l. PADOVER. The Completly Jefferson, New York: Distributed by Duell, Sloan & Pearce, Inc. (1943)
[6] WINNICOTT, D.W. The Child, The Family, and The Outside World. Cambridge: Perseus Publishing, 1964
[7] RANK, O. Psychology and The Soul. Mansfield Center, CT : Martino Publishing, 2011.
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2020.07.12 21:41 KimiTanoshimu #2

Aonde estava eu? Ah a cultivar bárbaros e a tecer dragões no Clash of Clans, certo. Mas não é para isso que vieram cá, se bem que não nego a diversão de urdir uns esqueletos de vez em quando. Finalmente, verão. Já dizia o Castanheiro: “Para Portugueses, menino, o verão é o tempo das belas fortunas e dos rijos feitos. No verão nasce Nuno Álvares no Bonjardim! No verão se vence em Aljubarrota! No verão chega o Gama à Índia!”. E são estas palavras que me fazem questionar se não sou realmente estrangeiro, (até sou meio achinezado e tudo). Portanto, verão. Lembro-me que passei grande parte desta estação, ( altura de transição do sexto para o sétimo ano), em casa da minha avó materna, com o meu primaço, passando os dias a jogar Minecraft ou B02, bons tempos. Foi também altura da minha primeira interação com o que hoje em dia chamamos de... ahm nós não temos realmente um nome para isto, que eu saiba pelo menos, mas basicamente trocar mensagens “abusivamente” com alguém. Eu deixei uma pista na última edição e vou tentar deixar nesta também. Sim! A próxima crush é a Joana Sousa, ou A tipa das repas, provavelmente conhecem-na melhor por este último método de identificação. É engraçado recordar estes momentos. Eu acho que fiquei a gostar dela porque foi a pessoa que mais me ajudou a integrar na escola e na própria turma. E, claramente, também por outro motivo que todos nós conhecemos do filme, Quinta da Paz: Infinity Crushes, a carência Mariense. fAlAr cOm UmA rApAriGa pOr mEnSaGeM? E eSsA CoNvErSa nÃo eNvOlVeR eU PeDiR qUe Me TrAnSfiRa A Wrecking ball pOr BlUeTOoTh?!?
Peço desculpa.
Ah nem sei por onde começar. Vou tentar ser breve para o post não se chamar Saga Horny Potter 2. Esta paixão tem um origin story definitivamente *cof cof* engraçada. Ela era pretty much a minha ajuda emocional para tentar ultrapassar a Inês Pinto. Eu lembro deste acontecimento, *risos*, é tão mau e totó, mas basicamente estava-lhe a dizer que sentia mesmo falta da Inês Pinto e qualquer coisa acontece e eu digo: - Mas hey sempre gostei de ti. A Inês Pinto era só o warm-up, desde do início que gostei de ti. (Oh pls digam-me que vão fazer bons memes com isto, estou a morrer de cringe). Citando o Pikachu: “That’s a very twisty twist”. Yes. Na realidade, nada de mal aconteceu. Aliás acho que ela é que me começou a dar tease (?). Confusing times. Isto desencadeou um monte de acontecimentos de partir.o.caco.a.rir. Ela queria que eu mandasse fotos para ver se estava mais giro e apelativo fisicamente e decidir se devia namorar comigo ou outro tipo que também gostava dela... hm. Como é óbvio não consegui enviar porque falávamos por mensagem e o meu pacote não o permitia, etc etc. Mas, mas, nem tudo é mau, eu parecia aqueles atores de Bollywood, em poses super dramáticas e desesperadas, (quem me dera recuperar essas fotos). A seguir disso veio a letra de uma música, inspirada na bela melodia de Jeff Buckley, Hallelujah. Era linda, uma obra prima, a minha obra prima, até o meu primo o reconheceu. Até a minha avó encontrar o dito cujo papel e a cantar em frente à minha família toda em tom de Aleluia católico. E, repleto de vergonha, fugi para debaixo de uma mesa de bar que há no piso de cima, (em honra da velha tradição). Não vou mentir, pensei que até o dia de hoje ainda estaria lá. Até podia agora ser um barman famoso e tudo, mas infelizmente saí de lá. Possivelmente, por causa de um fantasma da Inês Pinto, diria eu. E como se já não bastasse, havia certos momentos em que me dava um chlick e tratava-a por amor ou amorzinho ou, por favor matem-me não quero continuar a falar disto. Conclusão, ela provavelmente fartou-se do Fortniteiro (eu) e deu move on para o outro tipo que foi falado anteriormente. Na realidade, acho que foi mesmo isso que aconteceu. O corte nas relações não foi tão brusco como o da Inês Pinto, mas a Joana Sousa põe histórias no messenger e o pior foi que tive de ir ver estas para me lembrar do nome dela, por isso, vou-me só calar.
Hope u enjoyed. Ass: Marroni. Até ao 8º ano, jovens árvores.
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2020.07.10 15:28 finepettinduck PRECISO DA SUA AJUDA EM UMA PESQUISA CIENTÍFICA!

Bom dia, pessoal! Preciso muito da ajuda de vocês para responder o questionário de uma pesquisa sobre relações de trabalho. Se você é maior de 18 e trabalha ou estagia, poderia responder? A pesquisa é completamente anônima e leva só entre dez e quinze minutinhos. QUESTIONÁRIO
Sua contribuição é muito importante porque a Psicologia tem o papel de conhecer a realidade das pessoas e promover estratégias que melhorem o bem-estar e qualidade de vida delas.
Contamos com seu apoio respondendo e divulgando entre os seus contatos!
https://pt.surveymonkey.com/relacoestrabalho
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2020.07.09 21:44 finepettinduck VOCÊ TRABALHA? PRECISO DA SUA AJUDA PARA RESPONDER UMA PESQUISA

Boa tarde, pessoal. Sei que não é o propósito do grupo, mas a contribuição de vocês ajudaria muito. Sou pesquisadora e preciso da ajuda de vocês pra responder um questionário sobre relações sociais no ambiente de trabalho. Se você é maior de 18 anos e trabalha ou estagia numa instituição privada, gostaríamos da sua colaboração. A pesquisa é completamente anônima e dura de dez a quinze minutos! É rapidinho! Pesquisa Relações de Trabalho
A Psicologia tem o papel de conhecer a realidade das pessoas e promover estratégias que melhorem o bem-estar e a qualidade de vida delas, nesse sentido, sua participação é muito importante para o projeto.
Contamos com seu apoio respondendo e divulgando entre os seus contatos!
https://pt.surveymonkey.com/relacoestrabalho
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2020.07.09 21:39 finepettinduck PRECISO DA SUA AJUDA NUMA PESQUISA

Boa tarde, pessoal. Sou pesquisadora e preciso da ajuda de vocês pra responder um questionário sobre relações sociais no ambiente de trabalho. Se você é maior de 18 anos e trabalha ou estagia numa instituição privada, gostaríamos da sua colaboração. A pesquisa é completamente anônima e dura de dez a quinze minutos! É rapidinho! Pesquisa Relações de Trabalho
A Psicologia tem o papel de conhecer a realidade das pessoas e promover estratégias que melhorem o bem-estar e a qualidade de vida delas, nesse sentido, sua participação é muito importante para o projeto.
Contamos com seu apoio respondendo e divulgando entre os seus contatos!
https://pt.surveymonkey.com/relacoestrabalho
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2020.07.09 21:38 finepettinduck PESQUISA

Boa tarde, pessoal. Sou pesquisadora e preciso da ajuda de vocês pra responder um questionário sobre relações sociais no ambiente de trabalho. Se você é maior de 18 anos e trabalha ou estagia numa instituição privada, gostaríamos da sua colaboração. A pesquisa é completamente anônima e dura de dez a quinze minutos! É rapidinho! Pesquisa Relações de Trabalho
A Psicologia tem o papel de conhecer a realidade das pessoas e promover estratégias que melhorem o bem-estar e a qualidade de vida delas, nesse sentido, sua participação é muito importante para o projeto.
Contamos com seu apoio respondendo e divulgando entre os seus contatos!
https://pt.surveymonkey.com/relacoestrabalho
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2020.07.08 02:34 guaxeguaxe Eu não me sinto mais confortável em me relacionar com outros

A alguns anos atrás eu tinha muitos amigos próximos e sempre gostava de interagir e receber atenção,porém eu acabei percebendo que eu sempre usava uma ''mascara'' pra me relacionar com os outros,e que,na realidade,eu sou uma pessoa muito introvertida,minhas relações eram mais baseadas em compensar minhas inseguranças através de atenção.desde então eu me sinto sempre que todos estão ''fingindo'' também e que todo o trabalho de manter relacionamentos e amizades não vale a pena,e comecei a me auto isolar. Isso não é um papo depressivo ou coisa do tipo,mas tem um bom tempo que eu me sinto desconfortável em contato com 90% das pessoas e acho que isso já ta virando um problema,poque estar sozinho faz muito bem mas muito mal pra minha cabeça ao mesmo tempo,eu to sempre tranquilo e confortável mas muitas vezes vou pra lugares bem obscuros da minha personalidade,pois ao estar sozinho minha autocritica diminui muito. Vlw por ler até aqui,precisava dizer isso em algum lugar.
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2020.06.29 17:46 AntonioMachado [2011] Domenico Losurdo - Uma análise crítica da relação entre liberalismo e democracia

Entrevista: https://www.ifch.unicamp.bcriticamarxista/arquivos_biblioteca/entrevista2015_11_09_16_38_4563.pdf
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